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Basquete
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Helen se aposenta e traça planos para o futuro fora das quadras

Mesmo após encerrar vitoriosa carreira, ex-armadora da seleção espera seguir contribuindo com desenvolvimento do basquete nacional

Luís Araújo, iG São Paulo |

A derrota dentro de casa de Americana para Ourinhos na última segunda-feira impediu o time local de chegar à decisão da primeira edição da Liga de Basquete Feminino. Mais do que isso: representou o fim da trajetória de uma das jogadoras mais importantes da história do basquete nacional. Naquele momento, a armadora Helen Luz se despedia das quadras aos 38 anos.

Divulgação
Helen Luz atuando pela seleção brasileira
“Não era como eu desejava encerrar a carreira”, admitiu Helen. “Meu pensamento era de jogar a final, mas a vida de atleta é assim. Nem sempre as coisas acontecem como desejamos. Fiquei triste no último jogo, mas também me senti realizada como jogadora pela felicidade de ter voltado ao Brasil e encerrado a minha carreira aqui”.

No currículo ao longo das quase duas décadas de serviços prestados ao basquete, constam muito mais vitórias do que derrotas. Não faltaram bons momentos durante as passagens pela liga norte-americana e pela Europa. Mas para Helen, nada foi mais marcante do que duas conquistas com a seleção brasileira em solo australiano: o título do Mundial de 1994 e a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000.

“Não é qualquer um que consegue ser campeão do mundo”, disse Helen. “Tive a oportunidade de jogar num grupo maravilhoso, que contava com duas das melhores jogadoras do mundo: a Paula e a Hortência. Era muito nova, ganhei bastante experiência e tive a chance de jogar a final. A medalha em Sidney também é especial pela dificuldade que é subir no pódio das Olimpíadas. Estes dois momentos foram os principais da minha carreira”.

Uma cirurgia antes das Olimpíadas de 1996 impediu que Helen fizesse parte da campanha do Brasil, que voltou de Atenas com a medalha de prata. Ela até chegou a treinar com o grupo que foi aos EUA, mas não conseguiu se recuperar a tempo de entrar em quadra.

Anos mais tarde, Helen teve a oportunidade de jogar nos EUA. Não pela seleção brasileira, mas pelo Washington Mystics, time que disputa a WNBA. Entre 2001 e 2003, foram três temporadas atuando na liga de basquete norte-americana. A experiência surpreendeu a ex-atleta, que diz só ter boas recordações de lá.

“No começo, não achava que o basquete americano era meu estilo”, recorda-se Helen. “Acabei indo pra lá mais pela curiosidade e pelo desafio do que propriamente pelo desejo de jogar e gostei muito. Os americanos dão um show de profissionalismo e organização. O estilo de jogo era mesmo muito diferente, mas eu aprendi muito, especialmente com o trabalho físico. A partir de então, passei a valorizar mais este aspecto no meu jogo”.

Getty Images
Helen em ação pelo Washington Mystics, da WNBA
Depois disso, em 2003, embarcou para o Velho Continente. Defendeu Zaragoza, Barcelona, Rivas e Cadi La Seu, da Espanha, e o Novosibirsk, da Rússia. Ao contrário dos EUA, atuar no basquete europeu sempre esteve na lista de desejos profissionais de Helen.

“O jogo lá é mais técnico e mais cadenciado”, analisou Helen, que lembrou-se também de como era a dificuldade para driblar problemas para se comunicar na Rússia. “Cheguei a fazer três meses de russo, mas é muito complicado. Quando eu achava que estava começando a entender, aparecia alguma coisa muito mais difícil. Mas no clube não tinha problema, pois havia uma tradutora lá que nos ajudava bastante”.

Helen diz que conclui a carreira com o sentimento de dever cumprido. O segredo do sucesso que marcou sua trajetória no basquete é a determinação. Ela sabe que nem sempre conseguiu sair de quadra satisfeita com o seu desempenho, algo completamente natural para uma atleta com uma carreira tão longa. Mas nunca faltou empenho.

“Se tem alguma pessoa que se dedicou mais do que eu, eu até gostaria de conhecer”, brinca. “Fiz o melhor que pude sempre. Algumas vezes eu não rendi tudo o que gostaria, mas meu esforço foi sempre inegável. Sou completa e realizada profissionalmente não só pelos títulos, mas também pelas amizades que construí aqui e fora do país”.

Helen agora prepara-se para a vida fora das quadras e já traça duas metas para colocar em prática no futuro próximo. A primeira é fazer com que um projeto social – idealizado com as irmãs e com o marido – saia do papel e dê a oportunidade para que crianças da cidade de Louveira (interior de São Paulo), onde reside, tenham contato com o esporte. O outro plano é estudar para atuar na área de gestão esportiva e trabalhar, se possível, com basquete.

Determinada que é, Helen deverá colocar seus planos em prática em breve e continuar dando sua enorme contribuição para o basquete brasileiro.

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