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Basquete
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"Estou mais preparado hoje do que em 1994", diz Ênio Vecchi

Treinador volta à seleção brasileira, agora na feminina, após campanha ruim no Mundial masculino do Canadá

Marcelo Laguna, enviado iG a Americana |

Divulgação
O técnico Enio Vecchi está empolgado com o desafio de comandar a seleção feminina no Pré-Olímpico
Para buscar uma vaga nas Olimpíadas de Londres, a seleção brasileira feminina de basquete disputará o Pré-Olímpico na cidade de Neiva, na Colômbia, a partir de 24 de setembro, com um personagem bastante conhecido na história recente da modalidade no Brasil. Em sua primeira experiência no comando de uma equipe feminina, Ênio Vecchi, de 51 anos, retorna ao cargo máximo de uma seleção brasileira disposto a escrever uma história mais feliz do que em sua primeira experiência.

Em 1994, Vecchi comandou a seleção masculina na pífia campanha no Campeonato Mundial do Canadá, quando a equipe – que por conta de uma renovação forçada pela CBB (Confederação Brasileira de Basquete) – terminou somente no 11º lugar, com um time repleto de garotos inexperientes e sem ter a presença de Oscar Schmidt, que ainda brilhava no basquete europeu. No ano seguinte, com Vecchi sendo substituído por Ary Vidal e tendo Oscar no time, a seleção conseguiu a vaga para as Olimpíadas de Atlanta. Foi a última vez que o time masculino do Brasil conseguiu este feito.

Mas Ênio não se arrepende do trabalho realizado. Muito pelo contrário. “Naquele momento, a história confirma isso, tinha que ser feita aquela renovação. Em 95, conseguimos a classificação para os Jogos, tudo bem, mas do que adiantou tudo aquilo?”, pergunta o treinador, que não está assustado em ter como primeira experiência no comando de um time feminino ser justamente a seleção brasileira.

“É um novo desafio. Isso é importante na carreira de qualquer técnico, isso te motiva. Não pensei muito para aceitar, pois é um dos cargos mais importantes do esporte brasileiro e uma oportunidade única de disputar um Pré-Olímpico, com a possibilidade de classificar para as Olimpíadas”, diz Vecchi.

 Em entrevista exclusiva ao iG, Ênio Vecchi também comentou sobre sua adaptação ao trabalho com as mulheres, a possibilidade de aproveitamento da jovem pivô Damiris, destaque na campanha da medalha de bronze do Brasil no Mundial Sub 19, e também sobre como pretende administrar a talentosa e temperamental ala Iziane, famosa pela briga com o ex-técnico da seleção Paulo Bassul, no Pré-Olímpico Mundial de 2008, em Madri.

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Iziane encara marcação de jogadora do Japão durente o Mundial de 2010, na República Tcheca

iG:Em 1994, a seleção masculina fracassou sob seu comando no Mundial do Canadá. Hoje você se sente mais preparado para assumir uma seleção do que naquela época?
Ênio Vecchi: Lógico, com certeza. Mas experiência só se ganha com o tempo como técnico, tudo serve de referência. O principal problema no Mundial de 94 foi que os dois alas titulares, Fernando Minucci e Chuí, se machucaram em cima da hora. São várias circunstâncias que atrapalharam aquela equipe. O  feminino na época também fez uma renovação, só que foi campeão mundial.

iG: O fato de não ter uma vivência com o basquete feminino chegou a lhe preocupar antes de aceitar o cargo?
Ênio Vecchi: Sim, houve uma preocupação inicial porque sempre acompanhei o basquete feminino mais de longe. Por isso, comecei a ver de perto os treinos das seleções Sub 16, Sub 17, acompanhei o time Sub 19 desde o início da preparação. Então, isso me deixou mais tranqüilo. O que já deu para perceber na rotina de treinamentos é que no feminino existe uma concentração mais aguçada, uma entrega mais marcante em relação ao treinamento e sistema de jogo. Elas procuram superar a diferença física em relação aos homens trabalhando a parte intelectual do jogo com mais intensidade.

iG: Alguns colegas seus que trabalham no basquete feminino criticaram a sua escolha para o cargo, justamente por nunca ter trabalhado na área. Como você recebeu estas críticas?
Ênio Vecchi: Acho que é normal ter este tipo de reação. Mas todos eles conhecem minha carreira, sabem do meu trabalho. estamos num país onde as pessoas são livres para opinar. Não vejo como algo problemático. No vôlei isso foi feito e todo mundo aplaude. As pessoas analisam situações iguais e analisam de forma diferente. Mas isso não me magoa nem chateia.

iG: Você acompanhou o desempenho da pivô Damiris no Mundial Sub 19. Pretende aproveitá-la na equipe neste Pré-Olímpico?
Ênio Vecchi: Certamente. Foi muito importante a participação dela no Mundial, foi notório o destaque dela. Ela tem dois fundamentos muito importantes, como ser cestinha e ótima reboteira. Ela tem um potencial muito grande, já é uma realidade e tem potencial para se desenvolver cada vez mais.

iG: Você deve ter acompanhando o episódio da discussão da Iziane com o Paulo Bassul, no Pré-Olímpico mundial em Madri, em 2008. Como você pretende administrar o fato de Iziane, apessar de ser um grande talento, ter um temperamento complicado?
Ênio Vecchi: Temos que sempre convergir para um bem maior, que é a seleção. A Iziane está aqui para servir o nosso país, precisa ter esta ideia muito clara na cabeça. Isso é muito mais importante do que qualquer problema pessoal. Mas não irei trazer à tona uma coisa que aconteceu lá atrás. A relação lá foi uma, agora é outra realidade. O caminho do entendimento é o melhor a ser tomado.

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