Novo treinador da seleção feminina comentou os planos iniciais que tem para implementar na equipe a partir de 2011

Novo técnico da seleção brasileira feminina de basquete, Ênio Vecchi terá no Pré-Olímpico da Colômbia seu primeiro grande desafio à frente do cargo. Mas mesmo a nove meses da disputa, um problema já o preocupa: o pouco tempo com o qual poderá trabalhar com a pivô Érika e a ala/armadora Iziane.

A equipe delas, o Atlanta Dream, tem o último jogo da temporada regular da WNBA previsto para 11 de setembro, apenas 13 dias antes do início do classificatório para Londres-2012. Acontece que nas duas últimas temporadas o time alcançou os playoffs da disputa, o que se acontecer novamente no próximo ano, irá atrasar ainda mais a apresentação de ambas.

A solução para Ênio Vecchi é treinar o grupo para jogar em função delas. "Vou procurar observar como elas estão jogando, em qual sistema e montar um esquema próximo disso para não ter problema de adaptação. É já deixar no planejamento, a equipe vai estar treinando em função disto".

Com as ausências de Alessandra e Helen, que deixaram a seleção após o Mundial da República Tcheca, a dupla formada por Érika e Iziane ganhará ainda mais importância na seleção de Vecchi. "Temos que tratá-las com carinho e atenção porque são grandes jogadoras e que têm orgulho de vestir a camisa da seleção", afirmou o treinador.

Enquanto espera pelas brasileiras que jogam nos Estados Unidos, Ênio Vecchi pretende promover uma série de amistosos internacionais para preparar a equipe. "Um ponto fundamental é promover a experiência internacional para o desenvolvimento. É isso o que vai dar qualidade ao time porque aí vamos ter a referência de como estamos. Vamos procurar fazer o maior número possível de jogos", destacou.

Apesar de ter contrato somente até as Olimpíadas de 2012 e estar ciente de que, a partir daí, o planejamento da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) é promover a ex-jogadora Janeth Arcain para o cargo, o novo treinador da seleção acredita que pode contribuir de forma importante na renovação do grupo.

"O basquete brasileiro, de uma forma geral, não tem muitas peças de renovação, mas este vai ser um legado que a CBB vai deixar", analisou Vecchi. "É um trabalho que exige paciência, a gente sabe que não vem do dia para a noite. O Brasil é um celeiro de grandes jogadoras. Tem que ter paciência: às vezes, o resultado não é bom, mas o trabalho é excelente e vice-versa. Vamos plantar a semente mantendo o que está bom".

O pensamento a longo prazo, entretanto, não significa que o presente será esquecido, garante o técnico: "Lógico que estamos pensando no resultado, até porque ele serve de referência e incentivo para os jovens atletas".

Desconfiança?

Ênio assumirá a seleção feminina de basquete sem jamais ter treinado mulheres na vida, mas não se preocupa com isto e ignora a desconfiança dos fãs de basquete.
"A invenção é ótima neste momento porque você fica mais leve para dirigir um time, que é como eu me sinto agora", disse Vecchi. "Não vejo nenhum problema, apesar de exisitirem diferenças físicas, técnicas e de relacionamento entre o basquete feminino e o masculino. Qualquer um encontraria dificuldades, mesmo que fosse um técnico com experiência entre as mulheres. Não é um bicho de sete cabeças".

Para evitar problemas, Vecchi pretende se valer de muita conversa, ao menos inicialmente. "A partir daí, as coisas vão fluir naturalmente", confia o treinador, que seguirá no comando do time masculino do Vitória até o fim do NBB, competição na qual o time capixaba atualmente é o 14º colocado entre os 15 participantes.

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