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Jogador disputou sua última competição nacional em 2003, quando foi o segundo certinha do Brasil, apenas atrás de Oscar Schmidt

Divulgação
Leandrinho foi campeão carioca pelo Flamengo em 2011
Depois de oito anos e uma bem-sucedida passagem pela NBA , o ala-armador Leandrinho , que faz sua estreia pelo NBB pelo Flamengo, neste sábado, volta a disputar uma competição nacional. Sua última participação em uma competição nacional de clubes havia acontecido no 14º campeonato brasileiro organizado pela CBB (Confederação Brasileira de Basquete), em 2003, defendendo o Bauru.

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O clube paulista havia sido campeão em 2002, com veteranos como os alas Vanderlei e o norte-americano Jeffty Connely (marido da jogadora de vôlei de praia Ana Paula) e o pivô Josuel, mas acabou passando por uma reformulação, apostando em um renovado elenco na temporada seguinte.

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A experiência ficava por conta do armador Raul Togni, pai de Raulzinho, que joga na mesma posição e está na lista de selecionáveis de Rubén Magnano para disputar os Jogos de Londres 2012 . O resto da equipe, dirigida por Guerrinha, que segue em Bauru, era basicamente formado por uma série de promessas, como o pivô Murilo Becker, que chegou a defender o Maccabi Tel Aviv, de Israel, e o ala Jefferson Sobral, que tentou a sorte no basquete norte-americano , mas sem sucesso. Nesse grupo, porém, não havia dúvida de que o paulistano era a grande aposta.

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Ele terminou o campeonato com médias de 28,2 pontos em 20 partidas, sendo o segundo certinha. Na ocasião, aos 20 anos, ficou atrás apenas do veterano Oscar Schmidt, que anotou 33,1 pontos pelo, vejam só, Flamengo. Além disso, ele foi o quarto melhor em assistências, com 7,0 por partida, atrás de Valtinho (ainda em atividade pelo mesmo Uberlândia) e dos já aposentados Demétrius (atual técnico do Limeira) e Ratto (treinador do Uberlândia no ano passado).

Em termos de recordes individuais, Leandrinho marcou 48 pontos em um confronto com o Limeira no dia 14 de fevereiro de 2003, tendo atuado por todos os 40 minutos. Foi a melhor marca daquele campeonato. Nesta lista individual, também dividiu o topo com Oscar, que anotou 46 e 45 pontos em dois jogos, enquanto, o jovem do Bauru teve teve uma atuação de 44 pontos contra Araraquara, que valeu como a quarta melhor do Nacional.

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Foi neste mesmo ano em que o jogador optou por se aventurar nos Estados Unidos, então agenciado pelo advogado Michael Coyne, o mesmo que havia emplacado o pivô Nenê na NBA em 2002. Leandrinho fez treinamentos particulares orientado pelo ex-armador Ron Harper, tricampeão pelo Chicago Bulls, e partiu para o tradicional giro de testes pelas franquias da liga antecedentes ao "Draft" – em um deles, em Memphis, por sinal, bateu de frente com o então pouco badalado Dwyane Wade, que chegou a pedir para o "rachão" ser encerrado devido ao estilo agressivo do brasileiro.

No fim, Wade foi selecionado na quinta posição do processo de recrutamento de novatos pelo Miami Heat. Leandrinho , ainda menos conhecido, foi o 28º, pelo San Antonio Spurs, a pedido do Phoenix Suns, para o qual foi imediatamente trocado.

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Alexandre Vidal/Fla Imagem
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No Arizona, Leandrinho foi lançado inicialmente como armador, sendo reserva de Stephon Marbury por boa parte de sua primeira temporada, até assumir o posto de titular quando o astro foi trocado para o New York Knicks. Depois, atuou como substituto do canadense Steve Nash até ser deslocado, aos poucos, a uma função mais de finalizador.

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Foi jogando ao lado de Nash que ele viveu seus melhores momentos na NBA , especialmente na temporada 2006-2007, quando teve médias de 18,1 pontos e 4,0 assistências, vencendo o prêmio de melhor sexto homem da liga. Após sofrer uma queda de rendimento em 2009-2010, lutando contra uma série de lesões, acabou negociado com o Toronto Raptors.

Pelo time canadense, ele anotou 13,3 pontos por jogo em 2010-2011, com apenas 24,1 minutos de média, lidando durante toda a campanha com uma lesão crônica no punho direito. Foi por essa lesão que pediu dispensa do Pré-Olímpico de Mar del Plata.

Assim que a Fiba liberou os atletas da NBA a procurar novos clubes no exterior, Leandrinho não hesitou em assinar com o Flamengo. Em suas primeiras partidas pelo clube carioca, vem sendo aproveitado pelo técnico argentino Gonzalo Garcia como armador, função que não exerce há anos O desafio do treinador é encontrar um equilíbrio entre o estilo bastante ofensivo de seu novo astro e o veterano ala-armador Marcelinho Machado, 36, até então o dono da equipe. O ala norte-americano David Jackson também se destaca por ser um bom pontuador.

“Temos quatro jogadores novos na equipe e a tendência é que, com o passar do tempo, a gente ganhe ritmo, entrosamento e evolua cada vez mais mais”, disse ala Marcelinho. Os terceiro e quarto atletas citados seriam o ala Federico Kammerichs, argentino que destaca mais pelo potencial defensivo, e pivô Caio Torres. Leandrinho se despediria do Flamengo no momento em que o locaute da NBA se encerrar. "Não tem problema. Nós já sabíamos dessa situação, temos que desfrutar da presença dele. Caso o problema da liga americana não se resolva, a intenção é ele ficar com a gente para o ano que vem", disse Gonzalo Garcia.

O desafio para o brasileiro vai ser, no tempo em que estiver com a camisa rubro-negra, justificar as expectativas por sua condição de atleta estabelecido na NBA . Talvez ainda mais difícil seja, quem sabe, superar seu rendimento de oito anos atrás.

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