O presidente da entidade, Carlos Nunes, se comprometeu a implantar imediatamente profundas mudanças na administração da modalidade, após reunião em Brasília

Carlos Nunes, presidente da CBB
Divulgação/CBB
Carlos Nunes, presidente da CBB

Para evitar uma crise sem precedentes na história da modalidade, o basquete brasileiro deverá anunciar nesta quarta-feira profundas mudanças em sua gestão. Isso é o que ficou definido após uma reunião de quase duas horas na sede do Ministério do Esporte nesta terça-feira, entre o presidente da CBB (Confederação Brasileira de Basquete), Carlos Nunes, o ministro Aldo Rebelo e o secretário nacional de Alto Rendimento da pasta, Ricardo Leyser. Entre as mudanças, Nunes deverá anunciar a chegada de um profissional de mercado para promover mudanças administrativas e ajudar na captação de recursos, o maior problema da entidade.

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No último final de semana, tanto Leyser quanto o secretário-geral da Fiba Américas, Alberto Garcia, presentes durante a realização do Jogo das Estrelas do NBB, em Fortaleza, escancararam a grave crise financeira pela qual passa a CBB, inclusive com ameaça de corte de verbas do governo à entidade e, até mesmo, à vaga assegurada pela Fiba ao país como sede nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

"A nossa maior preocupação é com o cenário que teremos no esporte brasileiro em 2017, após as Olimpíadas. É preciso que as confederações compreendam que é necessário dar passos maiores e mais rápidos em busca de uma gestão profissional", disse Leyser, em contato com iG . "Não dá para administrar uma confederação hoje da mesma forma que era feita há dez anos", comparou.

Ricarod Leyser, secretário nacional de Alto Rendimento do Ministério do Esporte
Glauber Queiroz/Ministério do Esporte
Ricarod Leyser, secretário nacional de Alto Rendimento do Ministério do Esporte

Com inúmeras dívidas e em busca de um novo patrocinador, a CBB teve que pagar mais de R$ 2,4 milhões de reais pelo convite para disputar a Copa do Mundo da Espanha. Um atraso na quitação da dívida acabou servindo como estopim para as críticas do dirigente da Fiba. "A CBB reconhece que passa por problemas de dinheiro e gestão. Mas para ter mais verbas, eles precisam demonstrar que buscam uma solução para a questão administrativa", disse Leyser, negando que o ministério do Esporte iria retirar os apoios da pasta à entidade.

"Não temos nenhum interesse em cortar qualquer tipo de convênio. O problema é que se a situação se agravar, eu ficarei impedido de fazer qualquer repasse, por falta de certidões negativas, prestações de contas, etc", explicou. Em relação à ameaça da Fiba, Leyser disse que a história é um pouco diferente.

"Em relação à Grã-Bretanha, antes das Olimpíadas de Londres 2012, a Fiba foi clara ao dizer que eles só participariam dos Jogos desde que fizessem um programa de desenvolvimento da modalidade. Aqui, mesmo sendo um esporte com quatro medalhas olímpicas e três vezes campeã mundial, o basquete perde espaço para o vôlei cada vez mais. Daí a ameaça deles em relação à vaga antecipada. A cobrança da Fiba, no fundo, é parecida com a nossa, é em busca do desenvolvimento do basquete", disse o secretário de alto rendimento.

Embora os problemas administrativos da gestão de Carlos Nunes à frente da CBB sejam recorrentes, o Ministério do Esporte não se sente "traído" com tudo o que vem ocorrendo. "Sabemos que  eles precisam se preocupar com as seleções, a questão das federações, categorias de base, mas nós não desistiremos de cobrar estas mudanças", disse Leyser, lembrando que a pasta tenta ajudar a conseguir mais um patrocínio para o basquete. "Estamos trabalhando para fechar uma parceria com os Correios", afirmou.

Uma nova reunião entre CBB e o Ministério do Esporte está agendada para acontecer em Brasília, na próxima semana. O tom da conversa, contudo, dependerá das mudanças que Carlos Nunes anunciar nesta quarta-feira.

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