Ao iG, treinador da seleção brasileira masculina de basquete evita fazer promessa para Olimpíadas em casa e admite possibilidade de desfalques da NBA na Copa América

Rubén Magnano, técnico da seleção masculina de basquete
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Rubén Magnano, técnico da seleção masculina de basquete

Em 2010, Rubén Magnano assumiu o comando da seleção brasileira masculina de basquete com um objetivo claro: levar o time de volta às Olimpíadas. A última participação até então tinha sido em Atlanta, no ano de 1996. A missão foi cumprida. A equipe conseguiu passaporte para os Jogos de Londres em 2012 e voltou de lá com o quinto lugar. O resultado em solo britânico e o fato de a próxima edição das Olimpíadas acontecer no Rio de Janeiro ampliam as expectativas para 2016. O treinador sabe disso, mas prefere não fazer nenhum tipo de promessa.

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"Temos a obrigação de fazer uma boa campanha nas Olimpíadas em casa, mas prometer medalha seria uma atitude muito demagógica de minha parte", disse o técnico da seleção brasileira de basquete, em entrevista ao iG . "Não gosto disso, mas vamos lutar por ela", completou.

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Magnano recebeu o iG no hotel em São Paulo onde está hospedado com a seleção de novos, projeto que tem como objetivo acelerar o amadurecimento de jovens atletas para os deixarem em condição de integrar a equipe principal nos próximos anos. O treinador diz acompanhar de perto a evolução de cada um dos convocados, em uma amostra da preocupação que tem com o futuro. Mas que seja dado um passo de cada vez. "Não sei quando esses atletas vão vestir a camisa da seleção adulta. Pode ser amanhã, no ano que vem ou daqui a três anos", declarou.

O convite que recusou para trabalhar no Minas no próximo NBB e a situação dos jogadores que atuam fora do país para a Copa América também foram comentados pelo treinador. Apesar de ninguém ter se colocado como indisponível, Magnano está ciente de que poderá não contar com os três brasileiros que se machucaram na última temporada da NBA. "O Nenê ainda sofre muito com a lesão no pé, acredito que terá dificuldade para se apresentar. Há também o problema no pulmão do Anderson Varejão. E ainda não sabemos como vai estar o joelho do Leandrinho", disse.

Confira a entrevista de Rubén Magnano ao iG:

Rúben Magnano: treinador inicia trabalho com seleção de novos
Divulgação/CBB
Rúben Magnano: treinador inicia trabalho com seleção de novos

iG: Essa seleção de novos era algo que você já desejava havia muito tempo. Quais são as suas impressões neste início de trabalho?

Rubén Magnano: É um projeto muito interessante, uma ação muito legal da CBB para dar oportunidades a muitos jogadores que podem ficar dentro da seleção adulta no futuro. Acho que encontrei um grupo muito sólido, físico e com muita vontade de trabalhar. Hoje avaliamos diariamente o que acontece com cada um deles em todos os aspectos. Após o final do Mundial Universitário, teremos uma avaliação final.

iG: Você cogita utilizar parte desse grupo já na Copa América deste ano?

Rubén Magnano: As portas não estão fechadas para nenhum jogador na seleção adulta. O exemplo mais claro com relação a isso foi o que aconteceu com o Raulzinho, que foi convidado para treinar com o grupo adulto em 2010 e acabou ficando no elenco que disputou o Mundial da Turquia. Isso serve para qualquer um. Depende da avaliação que fazemos e da produção do jogador.

iG: Esse início de trabalho na seleção de novos representa o primeiro passo da reformulação da equipe para 2016?

Rubén Magnano: Eu não falo de datas. Não falo do futuro. Não sei quando esses atletas vão vestir a camisa da seleção adulta. Pode ser amanhã, no ano que vem ou daqui a três anos. O que estamos fazendo ainda é um trabalho de conscientização. Isso não vai ficar só nos 30 dias de trabalho e no Mundial Universitário. Eu fico de olho neles nos jogos, converso com treinadores e pessoas próximas para ver como vão evoluindo. É verdade que eles têm dez meses de trabalho com os clubes no ano e só 45 dias com a seleção. Mas sigo de perto o que acontece com eles.

iG: Nos últimos meses, você viajou para conversar com os brasileiros que atuam na NBA e no basquete espanhol. Como foram esses encontros?

Rubén Magnano: Gosto de fazer essa viagem anualmente para saber como eles se sentem, para saber dos projetos e da vida de cada um deles. As viagens são sempre positivas. Sempre tem algo de bom. Há uma sintonia legal com eles. Tivemos situações diversas. O Nenê ainda sofre muito com a lesão no pé, acredito que terá dificuldade para se apresentar para a Copa América. Há também o problema no pulmão do Anderson Varejão. Ainda não sabemos como vai estar o joelho do Leandrinho. Bati um papo muito interessante com ele, mas quem vai definir sua participação é a parte médica. Tiago Splitter está em fim de contrato com o San Antonio Spurs. Precisamos ver o que vai acontecer com a sua renovação, mas ele se mostrou bastante disposto a se apresentar.

Nenê: lesionado no pé, pivô do Washington Wizards é dúvida na seleção brasileira para a Copa América
AP
Nenê: lesionado no pé, pivô do Washington Wizards é dúvida na seleção brasileira para a Copa América

iG: E na Espanha?

Rubén Magnano: Também foi positivo. A novidade foi a conversa com Vitor Faverani em Valencia. Ele compreendeu o que significa jogar na seleção. Rafael Hettsheimeir, que jogou pouco no Real Madrid, está muito bem e com bastante vontade de jogar. Falei com Lucas Bebê, que gostaria muito que tivesse aqui, mas que não pode por causa do Draft. É um garoto interessante e que, pelo que vi nos jogos do Estudiantes, mudou bastante seu olhar sobre as coisas. Huertas é um sim sempre à seleção. É um atleta muito comprometido. O mesmo acontece com Rafael Luz e Raulzinho. São caras que gostam e se sentem felizes jogando pela seleção.

iG: Você recebeu o convite para treinar o Minas no NBB e acabou não aceitando. Por que rejeitou a proposta e como tomou essa decisão?

Rubén Magnano: Eu tenho um trabalho em tempo integral com a seleção brasileira. Mas não foi esse o motivo, já que a CBB teve a grandeza de deixar na minha mão a decisão final. Eu avaliei e repensei muito, por isso não dei uma resposta rápida. Acabei dizendo não por motivos pessoais, que não interessam a ninguém. Não é nada que tenha relação com o basquete. Eu me senti muito orgulhoso pela consideração que o Minas teve comigo. Não é a primeira vez, já me convidaram no ano passado. Mas agora não dava para aceitar. Eu fiz a avaliação, botei na balança os pontos positivos e negativos. No fim, pesou mais para o lado do não.

iG: Quando você assumiu a seleção brasileira, a meta era voltar às Olimpíadas. Agora, o ciclo olímpico começa com um quinto lugar em Londres e termina em 2016, jogando em casa. O que isso muda na forma de trabalhar?

Rubén Magnano: Só temos um jeito de trabalhar. Temos o objetivo de melhorar nosso trabalho cada dia, mas o jeito é o mesmo. Mais do que valores técnicos e físicos, pesam muito os valores dos integrantes que vão participar dessa seleção. A disciplina, comprometimento e respeito que temos. Temos a obrigação de fazer uma boa campanha nas Olimpíadas em casa, mas prometer medalha seria uma atitude muito demagógica de minha parte. Não gosto disso, mas vamos lutar por ela. Temos a obrigação de fazer isso.

Sergio Hernandez: bronze com a Argentina nas Olimpíadas de 2008, treinador comandará o Brasília
Getty Images
Sergio Hernandez: bronze com a Argentina nas Olimpíadas de 2008, treinador comandará o Brasília

iG: O argentino Sergio Hernandez acertou com o Brasília. Como você vê a chegada de um técnico que conquistou o bronze olímpico ao basquete brasileiro?

Rubén Magnano: Sem dúvida, vai enriquecer a liga. Estamos falando de um treinador muito capaz e respeitado mundialmente. Conquistou também um pódio no Mundial e muitos campeonatos na Argentina. Tem bastante conhecimento e terá em mãos jogadores de nível muito importante. Acredito que fará um grande trabalho.

iG: O basquete que é jogado no Brasil te agrada?

Rubén Magnano: Está melhorando muito. Temos que trabalhar todos para ampliar e acrescentar a plataforma de jogadores. Isso vai aumentar na qualidade dos jogos e na seleção de jogadores para a equipe. A ideia seria massificar um pouco mais o basquete.

iG: E a final do NBB em jogo único? Você gosta?

Rubén Magnano: Não. Falo como treinador. Podem acontecer coisas no dia da decisão que podem comprometer uma temporada toda após um trabalho maravilhoso. O Flamengo, por exemplo, teve capacidade e inteligência de jogar sem seus dois principais arremessadores. Aí, sobressaiu o aspecto defensivo do time na final. Mas eu não gosto. Gosto de poder perder um jogo e ainda assim ter a condição de ser campeão.

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