Ao iG, Marcel, Rolando e Guerrinha relembram das oportunidades que tiveram o craque como adversário e acreditam que ele, aos 50 anos, ainda conseguiria jogar na NBA

Há exatos 50 anos, nascia aquele que é considerado o principal jogador da história do basquete. Durante a carreira, Michael Jordan quebrou recordes, conquistou títulos em todas as competições que disputou e dominou todos os rivais que cruzaram seu caminho. Mas o que exatamente fez dele o maior de todos os tempos? O iG conversou com três brasileiros que tiveram a oportunidade de enfrentá-lo para relembrar esses confrontos e tentar descobrir a resposta.

Por que Michael Jordan foi o maior de todos os tempos? Deixe seu comentário

Ex-ala da seleção brasileira, Marcel jogou contra Jordan em três oportunidades. Duas foram pelo Pan-Americano de 1983, quando o craque norte-americano ainda estava no basquete universitário. O outro encontro ocorreu nas Olimpíadas de 1992, época em que Jordan já era uma estrela consagrada da NBA.

“Achei chato pra caramba jogar contra ele”, afirmou Marcel. “Ele saiu de quadra vitorioso todas as vezes. Na última, então, não deu nem graça. É um cara que sempre fez o que quis em quadra, que ninguém nunca conseguiu marcar. Um saco de se jogar contra. Não teve outro igual a ele”, completou.

Outro brasileiro que teve a oportunidade de encarar os dois momentos distintos da carreira de Jordan é o ex-armador Guerrinha, mais um nome em comum entre os convocados da seleção do Pan de 1983 e das Olimpíadas de 1992. “Nesse primeiro duelo, ele não era o grande destaque dos EUA. Tinha outros caras naquela equipe, como o Patrick Ewing, que chamavam mais a atenção. Nós jogamos naquele dia e não fazíamos ideia de que ele iria se tornar o jogador que acabou virando”, lembrou o atual técnico do Bauru.

Quem também se surpreendeu com a evolução de Jordan durante a carreira foi Rolando. O ex-pivô disputou as Olimpíadas de 1992, mas esteve perto do maior jogador da história do basquete em 1989, quando defendeu o Portland Trail Blazers na NBA.

Michael Jordan no filme Space Jam
Getty Images
Michael Jordan no filme Space Jam

“Ninguém esperava que ele seria tão grande assim”, disse Rolando, lembrando-se do fato de que Jordan foi apenas a terceira escolha do Draft de 1984, ano em que ingressou na NBA. “Ele tinha muito potencial, mas surpreendeu ao ter virado isso tudo o que virou”, concluiu.

E por que Michael Jordan se transformou no maior de todos? Para Rolando, a resposta desta pergunta passa pela capacidade de liderança. “O grande jogador tem que ser um líder, e ele era. Era o primeiro a chegar nos treinos e o último a ir embora. Na hora que precisava decidir, ele pegava a bola porque sabia que era ele quem deveria resolver a situação. Alguns caras se escondem, vão para o outro lado da quadra e, se receberem a bola, tentam passar de volta. O Jordan, não. Ele assumiu a responsabilidade. Era esse era o grande diferencial dele”, declarou.

Já Guerrinha destaca a capacidade que Jordan tinha de executar de maneira bem feita todos os fundamentos do jogo. “Ele mesmo dizia que não era quem melhor arremessava e que não era quem mais defendia, mas que sabia fazer tudo da forma correta”, ponderou. O ex-armador ainda lembrou do último lance do craque pelo Chicago Bulls, na final de 1998, para ilustrar seu pensamento. “Ele roubou a bola na defesa, partiu para o ataque, converteu o arremesso e roubou a vitória no jogo que deu o título ao Bulls. Por isso que, na minha opinião, ele é como o Pelé. Jamais vai existir outro igual”, opinou.

Aos 50 anos, Jordan ainda conseguiria jogar na NBA?
Em dois momentos ao longo da carreira, Jordan largou a aposentadoria para voltar ao basquete. E se o maior de todos, agora com 50 anos de idade, resolvesse fazer isso pela terceira vez? Marcel até acredita que ele poderia se encaixar em algum time da NBA, mas duvida que o retorno aconteceria. “Um cara que sempre dominou o jogo não ia querer entrar apenas para participar. Todo mundo ia querer tirar uma casquinha dele “, projetou.

Rolando ressalta que Jordan sofreria para se adaptar à exigência física da NBA da atualidade, mas que poderia se virar em uma posição diferente: “Ele poderia atuar como um armador que organiza o jogo, que lidera o time em quadra e arremessa umas bolas que aparecem ali de vez em quando.”

Apesar de também acreditar que Jordan conseguiria atuar na NBA nos dias de hoje, Guerrinha admite preferir que isso não aconteça. “Se ele se condicionasse fisicamente, daria para jogar e chamar mais a atenção do que muitos caras que estão aí no auge. Mas acho que ele não deveria fazer isso. Seria melhor manter a imagem que ele deixou na cabeça de todo mundo”, declarou.

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