Rivais brasileiros destacam liderança e versatilidade de Michael Jordan

Por Luís Araújo - iG São Paulo |

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Ao iG, Marcel, Rolando e Guerrinha relembram das oportunidades que tiveram o craque como adversário e acreditam que ele, aos 50 anos, ainda conseguiria jogar na NBA

Há exatos 50 anos, nascia aquele que é considerado o principal jogador da história do basquete. Durante a carreira, Michael Jordan quebrou recordes, conquistou títulos em todas as competições que disputou e dominou todos os rivais que cruzaram seu caminho. Mas o que exatamente fez dele o maior de todos os tempos? O iG conversou com três brasileiros que tiveram a oportunidade de enfrentá-lo para relembrar esses confrontos e tentar descobrir a resposta.

Por que Michael Jordan foi o maior de todos os tempos? Deixe seu comentário 

Ex-ala da seleção brasileira, Marcel jogou contra Jordan em três oportunidades. Duas foram pelo Pan-Americano de 1983, quando o craque norte-americano ainda estava no basquete universitário. O outro encontro ocorreu nas Olimpíadas de 1992, época em que Jordan já era uma estrela consagrada da NBA.

Michael Jordan registrou média de 30,1 pontos por jogo na carreira. Foto: Getty ImagesAntes de entrar na NBA, Jordan conduziu a Universidade de North Carolina ao título da NCAA em 1982. Foto: Getty ImagesNo time de North Carolina, Jordan foi treinado por Dean Smith, um dos técnicos mais bem sucedidos no basquete universitário. Foto: Getty ImagesA carreira na NBA começou em 1984. Jordan foi escolhido pelo Chicago Bulls na terceira posição do Draft daquele ano. Foto: Getty ImagesNo Bulls, formou com Scottie Pippen uma das duplas mais vitoriosas da NBA em todos os tempos. Foto: Getty ImagesDurante a maior parte da carreira, Jordan foi comandado por Phil Jackson, treinador 11 vezes campeão da NBA. Foto: Getty ImagesJordan foi eleito o MVP (melhor jogador) da NBA cinco vezes: 1988, 1991, 1992, 1996 e 1998. Foto: Getty ImagesJordan foi escolhido 14 vezes para o All-Star Game e foi o cestinha da NBA em dez temporadas. Foto: Getty Images'Jordan Rules': esse era o método adotado pelo Detroit Pistons quando enfrentava o astro do Bulls, colocando até três jogadores na marcação. Foto: ReproduçãoO New York Knicks era freguês de Jordan. Com ele em quadra, o Bulls nunca perdeu uma série de playoff para o time nova-iorquino. Foto: Getty ImagesEm 1991, Jordan superou Magic Johnson na final contra o Los Angeles Lakers e conduziu o Bulls ao primeiro título. Foto: Getty ImagesApós o primeiro título, Jordan abraçou o troféu de campeão e não segurou as lágrimas. Foto: Getty ImagesNo ano seguinte, Jordan levou o Bulls ao segundo título seguido, conquistado sobre o Portland Trail Blazers. Foto: Getty ImagesEm 1992, fez parte do Dream Team, seleção dos EUA que conquistou o ouro nas Olimpíadas de Barcelona e encantou o mundo. Foto: Getty ImagesTerceiro título do Bulls foi conquistado em 1993, sobre o Phoenix Suns de Charles Barkley. Foto: Getty ImagesNo dia 6 de outubro de 1993, Jordan anunciou a aposentadoria dizendo ter 'perdido o desejo de jogar basquete'. Foto: Getty ImagesApós deixar o basquete, tentou a sorte no beisebol. Foto: Getty ImagesA experiência no beisebol foi um fiasco. Em março de 1995, ele anunciou seu retorno ao Bulls. Foto: Getty ImagesAo voltar ao basquete, Jordan passou a utilizar a camisa 45, mesmo número que usava no beisebol. Foto: Getty ImagesNão demorou muito, porém, para ele voltar a utilizar o número 23. Foto: Getty ImagesNa temporada em que Jordan voltou, o Bulls foi eliminado pelo Orlando Magic nos playoffs. Mas o time retomou o caminho dos títulos nos anos seguintes. Foto: Getty ImagesRival de Jordan nos tempos em que atuava no Detroit Pistons, Dennis Rodman se juntou ao Bulls para a temporada 1995/96. Foto: Getty ImagesCom 72 vitórias e apenas dez derrotas na temporada 1995/96, o Bulls registrou a melhor campanha da história da NBA. Foto: Getty ImagesO bom desempenho foi coroado com o título sobre o Seattle Supersonics, o quarto de Jordan e do Bulls. Foto: Getty ImagesEm 1996, Jordan estrelou o filme Space Jam, ao lado dos personagens do Looney Tunes. Foto: Getty Images'Flu Game': mesmo com febre, Jordan entrou em quadra no quinto jogo da final de 1997. Teve 38 pontos, sete rebotes e cinco assistências. Foto: Getty ImagesAo vencer a final contra o Utah Jazz em 1997, Jordan e o Bulls faturaram o quinto título em sete anos. Foto: Getty ImagesJordan encara Kobe Bryant no All-Star Game de 1998. Astro do Bulls foi o MVP do evento pela terceira vez. Foto: Getty ImagesNa final de 1998, o adversário foi mais uma vez o Utah Jazz. Foto: Getty ImagesArremesso certeiro nos segundos finais do jogo 6 da decisão de 1998 deu ao Bulls o sexto título. Foi a última cesta de Jordan pelo time de Chicago. Foto: ReproduçãoNo dia 13 de janeiro de 1999, após o sexto título do Bulls, Jordan anunciou aposentadoria pela segunda vez. Foto: Getty ImagesO segundo retorno de aposentadoria de Jordan aconteceu em 2001, quando se juntou ao Washington Wizards. Jogou dois anos antes de parar de vez. Foto: Getty ImagesPelo Wizards, Jordan acabou enfrentando o Chicago Bulls. Foto: Getty ImagesNo reencontro, a torcida demonstrou o mesmo carinho pelo ídolo dos anos anteriores. Foto: Getty ImagesO jogo do Wizards contra o Philadelphia 76ers no dia 16 de abril de 2003 foi o último da carreira de Jordan. Foto: Getty ImagesÚltimo ponto da carreira foi marcado em um lance livre. Após o acerto, Jordan saiu de quadra aplaudido por torcida, companheiros e adversários. Foto: Getty ImagesMichael Jordan e Kobe Bryant frente a frente no "All-Star Game" de 2003. Foto: Getty ImagesEm 2009, foi indicado ao Hall da Fama do basquete e se emocionou na cerimônia. Foto: Getty ImagesJordan encontrou Michael Phelps durante evento em 2012, após nadador quebrar recorde de medalhas olímpicas em Londres. Foto: APEstátua de Michael Jordan na entrada do United Center, ginásio do Chicago Bulls. Foto: Reprodução

“Achei chato pra caramba jogar contra ele”, afirmou Marcel. “Ele saiu de quadra vitorioso todas as vezes. Na última, então, não deu nem graça. É um cara que sempre fez o que quis em quadra, que ninguém nunca conseguiu marcar. Um saco de se jogar contra. Não teve outro igual a ele”, completou.

Outro brasileiro que teve a oportunidade de encarar os dois momentos distintos da carreira de Jordan é o ex-armador Guerrinha, mais um nome em comum entre os convocados da seleção do Pan de 1983 e das Olimpíadas de 1992. “Nesse primeiro duelo, ele não era o grande destaque dos EUA. Tinha outros caras naquela equipe, como o Patrick Ewing, que chamavam mais a atenção. Nós jogamos naquele dia e não fazíamos ideia de que ele iria se tornar o jogador que acabou virando”, lembrou o atual técnico do Bauru.

Quem também se surpreendeu com a evolução de Jordan durante a carreira foi Rolando. O ex-pivô disputou as Olimpíadas de 1992, mas esteve perto do maior jogador da história do basquete em 1989, quando defendeu o Portland Trail Blazers na NBA.

Getty Images
Michael Jordan no filme Space Jam

“Ninguém esperava que ele seria tão grande assim”, disse Rolando, lembrando-se do fato de que Jordan foi apenas a terceira escolha do Draft de 1984, ano em que ingressou na NBA. “Ele tinha muito potencial, mas surpreendeu ao ter virado isso tudo o que virou”, concluiu.

E por que Michael Jordan se transformou no maior de todos? Para Rolando, a resposta desta pergunta passa pela capacidade de liderança. “O grande jogador tem que ser um líder, e ele era. Era o primeiro a chegar nos treinos e o último a ir embora. Na hora que precisava decidir, ele pegava a bola porque sabia que era ele quem deveria resolver a situação. Alguns caras se escondem, vão para o outro lado da quadra e, se receberem a bola, tentam passar de volta. O Jordan, não. Ele assumiu a responsabilidade. Era esse era o grande diferencial dele”, declarou.

Já Guerrinha destaca a capacidade que Jordan tinha de executar de maneira bem feita todos os fundamentos do jogo. “Ele mesmo dizia que não era quem melhor arremessava e que não era quem mais defendia, mas que sabia fazer tudo da forma correta”, ponderou. O ex-armador ainda lembrou do último lance do craque pelo Chicago Bulls, na final de 1998, para ilustrar seu pensamento. “Ele roubou a bola na defesa, partiu para o ataque, converteu o arremesso e roubou a vitória no jogo que deu o título ao Bulls. Por isso que, na minha opinião, ele é como o Pelé. Jamais vai existir outro igual”, opinou.

Aos 50 anos, Jordan ainda conseguiria jogar na NBA?
Em dois momentos ao longo da carreira, Jordan largou a aposentadoria para voltar ao basquete. E se o maior de todos, agora com 50 anos de idade, resolvesse fazer isso pela terceira vez? Marcel até acredita que ele poderia se encaixar em algum time da NBA, mas duvida que o retorno aconteceria. “Um cara que sempre dominou o jogo não ia querer entrar apenas para participar. Todo mundo ia querer tirar uma casquinha dele “, projetou.

Rolando ressalta que Jordan sofreria para se adaptar à exigência física da NBA da atualidade, mas que poderia se virar em uma posição diferente: “Ele poderia atuar como um armador que organiza o jogo, que lidera o time em quadra e arremessa umas bolas que aparecem ali de vez em quando.”

Apesar de também acreditar que Jordan conseguiria atuar na NBA nos dias de hoje, Guerrinha admite preferir que isso não aconteça. “Se ele se condicionasse fisicamente, daria para jogar e chamar mais a atenção do que muitos caras que estão aí no auge. Mas acho que ele não deveria fazer isso. Seria melhor manter a imagem que ele deixou na cabeça de todo mundo”, declarou.

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