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Em entrevista ao iG, armador lembra frustração com o Draft, comemora acerto com o Houston Rockets e revela ser torcedor do Internacional

Scott Machado em ação pela Universidade de Iona
Getty Images
Scott Machado em ação pela Universidade de Iona

O dia 28 de junho de 2012 está guardado na memória de Scott Machado. Líder em assistências da NCAA (torneio universitário norte-americano) na última temporada, atuando por Iona, o armador esperava se juntar ao pivô Fabrício Melo e engrossar a lista de brasileiros na NBA . O ingresso na principal liga de basquete do mundo acabou se concretizando, mas não naquela noite.

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"Fiquei triste por não ter sido escolhido por nenhuma equipe, mas não podia fazer nada”, disse Scott Machado em entrevista ao iG . “Aí, pensei na possibilidade de mostrar o meu valor na Summer League . No fim das contas, acabou dando tudo certo. Mas, na hora, não estava nada feliz por não ter sido chamado por nenhuma equipe no Draft”, completou.

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Foi justamente o trabalho de Scott Machado na Summer League – torneio que acontece no verão norte-americano para as equipes observarem jogadores recém-selecionados ou sem contrato – que o colocou na NBA. As exibições pelo Houston Rockets na competição agradaram, e a franquia texana firmou com o armador um contrato de três anos.

O sonho de atuar na NBA está prestes a virar realidade. Para concretizá-lo, foi preciso abrir mão de algumas coisas. Uma delas, por exemplo, foi a convocação para representar a seleção brasileira no Sul-Americano. “Não pude me apresentar porque tinha que trabalhar para começar a minha carreira”, disse o jogador, que gostou do que viu na trajetória do Brasil nas Olimpíadas de Londres e até já se imagina atuando no selecionado comandado por Rubén Magnano.

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Filho de brasileiros, Scott Machado nasceu e passou a vida inteira nos EUA. Ainda assim, garante que se sente ligado ao país. “Conversamos sempre em português por aqui. Além disso, consumimos a comida e a cultura brasileira. Sou brasileiro em tudo o que faço aqui”, afirma o armador, torcedor do Internacional .

Veja fotos dos brasileiros na NBA:

Confira abaixo a entrevista de Scott Machado ao iG:

iG: Pouca gente no Brasil teve a oportunidade de te ver em ação. Como você se descreveria?

Scott Machado: Sou um líder. Procuro ditar o ritmo do meu time e encontrar companheiros bem posicionados para o arremesso. Sou daqueles armadores que têm como prioridade o passe. E gosto de ganhar. Dou meu máximo para fazer meu time vencer.

iG: Em quais armadores você se espelha?
Scott Machado: Do passado, Tim Hardaway. Entre os que ainda estão em atividade, gosto de Steve Nash, Jason Kidd e Chris Paul. O meu favorito é o Paul. Ele faz tudo dentro de quadra.

iG: Como você acompanhou o Draft? O que passou pela sua cabeça naquela noite?
Scott Machado: Estava jantando fora de casa com a minha família. Fiquei triste por não ter sido escolhido por nenhuma equipe, mas não podia fazer nada. Aí, pensei na possibilidade de mostrar o meu valor na Summer League . No fim das contas, acabou dando tudo certo. Mas, na hora, não estava nada feliz por não ter sido chamado por nenhuma equipe no Draft.

iG: Por que imagina que não foi selecionado no Draft?
Scott Machado: Venho de uma universidade pequena, que não tem muita tradição no basquete. Isso acabou pesando contra mim. Imagino que os olheiros da NBA não sabiam se eu seria capaz de jogar na liga.

iG: Outros times demonstraram interesse em contar com você para a Summer League. Por que escolheu o Houston Rockets?
Scott Machado: Tinha mais times interessados em contar comigo, sim. Mas acabei optando por aquela que representava a melhor oportunidade para mim, já que o Houston não contava com nenhum armador. Não havia um jogador que era o dono da posição.

iG: O que imagina que precisa ser feito agora para se tornar o dono da posição agora?
Scott Machado: Preciso continuar jogando duro, como fiz até agora. Tenho que seguir melhorando todos os dias e mostrar que mereço jogar nesse time.

iG: Um dos concorrentes à armação do time é Jeremy Lin, sensação da última temporada. Como está a expectativa de disputar a vaga com ele?
Scott Machado: Ele estourou com o New York Knicks na última temporada. Agora, deve mostrar que é capaz de continuar fazendo tudo o que já fez. Pode ser até que ele jogue ainda melhor. Estou ansioso para ver como vai ser, mas eu vou fazer a minha parte, jogar o que sei, mostrar o meu serviço e deixar o técnico tomar a decisão sobre quem joga.

iG: A preparação para o Draft te impossibilitou de se apresentar à seleção brasileira. Isso te frustrou?
Scott Machado:  Sim. Não pude me apresentar ao Brasil porque tinha que trabalhar para começar a minha carreira. Fiquei chateado por não ter tido a chance de me juntar à seleção, mas não era nada que eu poderia controlar.

iG: Acompanhou a campanha da seleção nas Olimpíadas? O que achou do time?
Scott Machado: O time joga forte, fez boa campanha, e todo mundo se ajuda. Além dos jogadores que já estão na NBA, gostei do Marcelinho Huertas e do Marquinhos. São caras que eu não conhecia e que jogam de maneira correta. Huertas sabe o que fazer para organizar o time em quadra. E o Marquinhos sabe colocar a bola na cesta.

iG: Você se imagina jogando na seleção?
Scott Machado: Imagino, sim. Como disse, o time só tem a melhorar. Sei que o Huertas é muito bom jogador, mas não sei como ele vai estar daqui a quatro anos, se vai continuar jogando pela seleção. O que sei é que eu posso ajudar o time fazendo as mesmas coisas que ele faz em quadra e posso herdar a posição quando ele não tiver mais com a equipe.

iG: O número maior de brasileiros na NBA e a competitividade da seleção são indícios de que o basquete está crescendo no país?
Scott Machado: Acho que sim. O basquete brasileiro está crescendo e ficando melhor. O futebol vai ser sempre o esporte número 1 no país. Não tem jeito. O basquete até pode rivalizar com o vôlei, mas vai ter que ganhar jogos. O vôlei está sempre conquistando vitórias em competições importantes.

iG: Mesmo morando a vida inteira nos EUA, você sente ligação com o Brasil?
Scott Machado: Sim, eu me vejo como brasileiro. Por aqui, conversamos sempre em português. Além disso, consumimos a comida e a cultura brasileira. Sou brasileiro em tudo o que faço aqui nos EUA. Ouço músicas brasileiras, vejo filmes...

iG: Gosta de futebol?
Scott Machado:  Sim. Não vejo todos os jogos que passam, mas acompanho o Internacional, time que torço.

iG: E quais músicas brasileiras você gosta de ouvir?
Scott Machado: Gosto de Revelação, Só Pra Contrariar, Alexandre Pires, Tim Maia, Raça Negra e Os Travessos. Ouço também músicas evangélicas.

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