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Basquete

04/10 - 18:57

Bassul se cala sobre Iziane, mas diz que campanha no Mundial foi decepcionante

Ex-comandade da equipe avaliou o campeonato, o desempenho do Brasil e projetou o futuro da modalidade no país em entrevista exclusiva ao iG

Bruno Pongas, iG São Paulo

Contratado em 2007 pela CBB para resolver os problemas do basquete feminino, Paulo Bassul ficou pouco mais de dois anos no comando da equipe nacional. Do lado de fora, ele falou com exclusividade ao iG sobre o Mundial da República Tcheca, a campanha brasileira, a qual classificou como decepcionante, e o futuro do país na modalidade, mas ignorou o assunto Iziane, grande responsável por sua saída.

Em 2008, durante a disputa do Pré-Olímpico Mundial, Bassul se desentendeu com Iziane depois que ela se recusou a entrar em quadra no último quarto da derrota brasileira para Belarus. Na oportunidade, a jogadora foi cortada e nunca mais voltou sob o comando do ex-técnico.

O entrevero custou a cabeça do treinador junto à CBB. Entre um mero comandante e aquela que poderia recolocar o Brasil no caminho das vitórias, a entidade máxima do basquete preferiu a atleta e demitiu Bassul.

Com um novo chefe, o espanhol Carlos Colinas, Iziane voltou, mas deixou a desejar na República Tcheca. Por conta dessa briga, Bassul preferiu pular o tema para evitar uma espécie de revanchismo, mas teceu um breve comentário sobre o desafeto.

“Todo mundo sabe o que aconteceu; qualquer análise individual é delicada nesse sentido", justificou. "A Iziane tem os méritos dela, tem qualidades. Independente de tudo, essas qualidades podem ser vistas e aproveitadas”.

CBB
Bassul é fotografado durante os treinamentos para o Pré-Olímpico Mundial de 2008

Segundo ele, a equipe tinha tudo para fazer uma excelente campanha, principalmente por ter caído numa chave tranquila e por estar completa depois de muitos anos.

“O Brasil tinha uma expectativa maior por estar completo, algo que não acontecia há muito tempo. O elenco também caiu num grupo bom, porque a Fiba nos colocou como cabeça de chave”, explicou.

“Esperava-se que o Brasil fosse mais longe (ficou apenas com o nono lugar), mas o time teve uma sequência de resultados negativos, principalmente contra a Coreia do Sul (adversário da estreia). Foi uma campanha decepcionante nesse sentido: o grupo estava completo depois de muitos anos e numa chave boa”, concluiu.


Quanto ao Mundial, Bassul se admirou com as surpresas que deram as caras em solo europeu, a começar pelas donas da casa, que chegaram à final após uma grande vitória sobre a Austrália nas quartas.

 “A República Tcheca foi a grande surpresa; ninguém esperava que fizesse a final”, analisou. “A expectativa geral era de uma disputa entre EUA e Austrália, muito pelo plantel que ambos tinham. A Espanha eu não acho uma surpresa enorme, porque elas já vinham se aproximando do grupo dos quatro melhores. A vinda da Sancho Lyttle (norte-americana que se naturalizou espanhola) foi o degrauzinho que faltava”, completou.

CBB
Treinador comanda reza antes da partida contra Fiji no Pré-Olímpico Mundial

Bassul também falou sobre o futuro e projetou a jovem armadora Tássia Carcavalli como titular das Olimpíadas de 2016, sem, no entanto, descartar a veterana Adrianinha nesse meio tempo.

“Eu vejo um grande futuro na Tássia, que é inteligente, tem visão de jogo e principalmente altura (1m76). Ela tem potencial; acho que chega em 2016 pronta”, opinou.

“A Adrianinha ainda tem muita lenha pra queimar. No Mundial a MVP (melhor jogadora) foi a (Hana) Horakova (31 anos), que atuou como uma maestra e armou muito bem a República Tcheca. O posto de armador é crucial, porque o atleta tem que jogar e fazer o time funcionar. É difícil encontrar alguém assim”, pontuou.

Por fim, o treinador analisou a nova safra que vem aí, ressaltando o potencial de quatro jovens. “Franciele, Nádia, Tássia e Damiris. Acho que todas vieram pra ficar e dificilmente saem”, disse. “Ela (Damiris) fez um bom Mundial e atuou bem na maior parte dos jogos. Com certeza é um nome que deve permanecer nos próximos anos. Vai depender dela”, finalizou.


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