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Basquete

28/10 - 10:51

NBA abre temporada de olho na crise econômica
Tanto a liga quanto as equipes tiveram que demitir para cortar gastos, mas já começaram a trabalhar para compensar as perdas financeiras

Fábio Sormani

SÃO PAULO - A NBA abre sua temporada esta noite. Três partidas foram agendadas: o Boston, atual campeão, pega o Cleveland do brasileiro Anderson Varejão em seu TD Banknorth Garden; o Chicago abre as portas do seu United Center para receber o Milwaukee; e o vice-campeão Lakers joga no Staples Center diante de sua torcida contra o Portland.

Os dirigentes, no entanto, estarão com um olho na quadra e o outro no mercado financeiro global.

A turbulência econômica tem feito os cartolas perderem importantes horas de sono. Influenciados pela crise, eles já agem. Começaram a cortar empregos.

AP
Celtics, o atual campeão: equipe defende título em ano que pode ser "negro" para a NBA

A NBA, por exemplo, já demitiu 9% de seu staff para encarar a crise. Nada menos do que 80 funcionários foram dispensados no dia 14 passado. Segundo o comissário David Stern, o manda-chuva da liga, esta foi uma decisão tomada há alguns meses. “Prevíamos que a economia estaria um pouco cambaleante, então começamos a apertar o cinto e isso vai resultar em uma redução da nossa força de trabalho”, disse Stern, à época.

O Charlotte Bobcats, um dos 30 times da liga, contagiado pela decisão da NBA, mandou embora 35 empregados. “Nós temos que ser mais eficientes em face à crise global”, justificou o presidente da franquia, Fred Whitfield.

Até mesmo os jogadores estão atentos ao problema. O ala Manu Ginóbili declarou semana passada que a NBA vai sofrer com a turbulência dos mercados. “Mas não em relação aos contratos com televisão e salários, porque são coisas que já estavam resolvidas anteriormente, mas sim quanto a venda de ingressos, cervejas, tacos e hambúrgueres; além da venda de camisas, que as pessoas compravam muito”, disse o argentino.

O argentino tem razão; mas com ressalvas. Os contratos com a televisão, por exemplo, foram fechados na última temporada com um aumento de 21% em relação ao anterior, num valor total de US$ 7,4 bilhões. Tem validade por oito anos. Esse dinheiro significa 28% das receitas no bolo total das equipes.

Agora, quem garante que não haverá inadimplência? Se a base de assinantes do cabo, por exemplo, diminuir, decresce a receita. Os anunciantes vão sofrer com a crise e podem não honrar os pagamentos das cotas compradas na tevê aberta.

Isso, no entanto, é apenas especulação. O certo é que, pelo menos por enquanto, tudo vem sendo quitado religiosamente em dia, a ponto de Stern, na última sexta-feira (24/10) ter declarado: “Estamos bem otimistas de que esta temporada será melhor para nós do que para muitas outras empresas”.

Será mesmo?

Bem, se depender da venda dos ingressos, Stern talvez tenha razão. Os times estão negociando – e bem – os seus carnês para esta temporada. O preço médio do ingresso na NBA aumentou em torno de 10% em relação ao campeonato passado.

Vamos tomar o Lakers como exemplo. O mais popular time da NBA majorou seu tíquete – pela terceira temporada consecutiva, diga-se – em torno de 5,5%, pouco se importando com a crise financeira nos EUA.

Sabe aquela cadeira de pista ocupada pelo Jack Nicholson? Pois é, ela custava no campeonato passado US$ 2.300 por partida; nesta, subiu para US$ 2.500. As poltronas que ficam na sexta fileira, quase ao nível da quadra, passaram de US$ 230 para US$ 245.

Detalhe: está tudo vendido.

O Thunder, que debuta nesta temporada em Oklahoma City depois de ter deixado Seattle e o nome Supersonics, vendeu todos os seus 13 mil carnês. Os dirigentes estão eufóricos e garganteiam tal fato.

O Celtics também não encontrou dificuldades para vender seus pacotes individuais, mas o que tem deixado o pessoal de Massachusetts preocupado é a venda das suítes executivas. Ou seja, aquelas tribunas especiais que as grandes empresas compram para fechar negócios, fazer um mimo para um cliente ou mesmo para que seus executivos se divirtam após uma longa e exaustiva jornada de trabalho.

Nem todas foram vendidas em Boston, e a direção da franquia não esperava por isso. A venda dessas suítes é importante, pois esses camarotes especiais custam uma fortuna, algo em torno de US$ 200 mil pela temporada, dependendo, é bom dizer, do time e da negociação.

Ao contrário do futebol – brasileiro, principalmente –, a venda de ingressos é mais significativa do que os direitos de tevê. Na temporada passada, 33% das receitas vieram dos tíquetes, algo em torno de US$ 1,2 bilhão, resultado de uma ocupação de 92% de suas arenas.

A movimentação financeira numa partida da NBA, a que se referiu Ginóbili, é muito grande mesmo. Se mutilada, como ele previu, pode sangrar os cofres das equipes.

AFP
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Vende-se de tudo dentro de um ginásio durante uma partida de basquete. Camisas oficiais, camisetas, bonés, chaveiros, canetas, gorros, agasalhos, flâmulas, revistas, livros... ufa!, de tudo, como eu disse. Sempre relacionado ao time da casa.

E bebida e comida; aos montes.

O negócio é tão grande que o New York Knicks, por exemplo, chega a se dar ao luxo de limitar a venda de bebidas durante uma partida. Por exemplo: quando se compra uma cerveja no Madison Square Garden, você tem que apresentar a carteira de identidade. Um torcedor pode comprar no máximo dois copos. E mais: no último quarto, a venda é suspensa para evitar exaltações extremadas em caso de o time perder. Ou seja: impedir que bêbados venham badernar o local e colocar em risco o retorno dos torcedores, amedrontados com a violência.

Com a crise, o que se pergunta é: o volume de vendas continuará intenso como tem sido ao longo das últimas duas décadas? As franquias estão temerosas. E não sem razão, uma vez que esse dinheiro, juntamente com a venda de suvenires dentro dos EUA e no resto do planeta, é importante para fechar a conta no final de uma temporada, pois eles representam 39% do resto do bolo.

A ida de jogadores para o mercado europeu é outro indicativo da perda do poder de fogo dos times da NBA. Josh Childress, Carlos Arroyo, Earl Boykins e Carlos Delfino são alguns dos exemplos. Deixaram a liga norte-americana para ganhar talvez o triplo do que poderiam receber nos EUA.

A NBA, no entanto, não está com os braços cruzados diante da crise financeira que afeta mercados do mundo inteiro. Stern está tentando costurar um acordo com o governo chinês para a construção de doze arenas no gigante asiático. Tudo indica que talvez em uma década a liga terá uma filial na China.

Tudo indica, pois não é certo ainda, uma vez que os chineses dependem muito do dinheiro dos norte-americanos para prosperar. Se os EUA não comprarem seus produtos, vai ficar difícil crescer 9% ao ano, como tem acontecido. E se os norte-americanos fecharem a carteira, a economia chinesa também vai se retrair. E o acordo com a NBA pode naufragar.

AFP
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De todo o modo, o momento é de expectativa e espera para ver até onde a crise chega. Como se viu, a liga está se preparando para o momento difícil da economia mundial. Mas se levarmos em conta o que seu comandante disse, além do movimento da venda dos carnês e dos ginásios lotados nas partidas da pré-temporada, o cenário, de fato, pode não ser tão negro assim.

Tomara.

“[O fato de estarmos otimistas] não quer dizer que não estaremos sujeitos a alguns solavancos, mas neste momento nosso nível de segurança é bem alto”, garantiu Stern.

É esperar para ver.

O que anima a todos é a agilidade de Stern para fazer negócios e resolver problemas. Em suas mãos, é sempre bom lembrar, a NBA saiu da miséria para a opulência.


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