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15/10 - 13:33, atualizada às 18:30 15/10

Contra a crise, NBA pede socorro à China
Vale a pena um investimento desses, mesmo com a crise mundial que colocou em pânico mercados do mundo todo?

Fábio Sormani, especial para o iG Esporte

SÃO PAULO - Ao contrário do que se tem dito, a NBA não pretende construir uma arena em Xangai. Ela projeta levantar 12 ginásios em igual número de cidades da China; Xangai entre elas.

Prognosticando que a crise norte-americana será longa, a NBA uniu-se à empresa AEG (Anschutz Entertainment Group), com sede em Los Angeles, para dar cabo à idéia e continuar ganhando dinheiro, agora em um novo mercado. Segundo o comissário David Stern, o manda-chuva da liga norte-americana de basquete, a NBA está de olho na classe média chinesa, que tem muito dinheiro no bolso e mostra-se ávida por gastar, esporte, aliás, que começa a ser praticado no gigante asiático.

"A China é um enorme mercado, com grande potencial, não apenas para o basquete, mas para o entretenimento de um modo geral”, disse Stern, domingo passado, em Londres, durante cerimônia de apresentação do projeto.

Mas vale a pena um investimento desses, mesmo com a crise mundial que colocou em pânico mercados do mundo todo? "A China não vai passar incólume pela crise, mas vai manter o seu dinamismo", afirmou nosso blogueiro Luís Nassif.

Então, vale a pena. "Eles [NBA e AEG] não pensaram nisso do dia para a noite, este deve ser um projeto antigo", calcula Nassif.
E é mesmo; esta não é a primeira joint venture entre as duas empresas.

A Arena Wukesong, que foi sede do basquete nos Jogos Olímpicos de Pequim, foi construída pelo governo chinês, mas sob a supervisão da AEG e da NBA. A arena custou cerca de US$ 400 milhões. Se formos considerar que 12 ginásios serão erguidos, o investimento total será de aproximadamente US$ 5 bilhões. Quase que a fortuna de Phil Anschutz, dono da Anschutz Corporation, que controla a AEG.

No último levantamento feito pela revista "Forbes", o bilionário que mora em Denver, apareceu na 36ª. posição entre os norte-americanos mais ricos, com um patrimônio de US$ 8 bilhões.

A AEG não debuta no esporte. Além de ter supervisionado a construção da arena que foi lar do basquete nos Jogos de Pequim, a empresa é dona do LA Kings, time de hóquei de Los Angeles. Supervisiona cerca de 90 arenas em todo o mundo, entre elas o Staples Center, onde Lakers e Clippers jogam, e a O2 Arena, em Londres, o maior “dome” do mundo, com capacidade para 23 mil pessoas. Cuida também do Kodak Theater, onde acontece a cerimônia do Oscar. Foi a empresa que intermediou a ida de David Beckham do Real Madrid para o Los Angeles Galaxy, um investimento de cinco anos que custou ao clube californiano US$ 250 milhões.

“Nós não faremos este investimento sem um retorno para AEG e NBA”, disse Timothy J. Leiweke, presidente da AEG. O lucro aparecerá, mas a longo prazo, conforme projeção de Leiweke.

A idéia, que ainda depende do sinal verde do governo chinês, via ministério da cultura e do comércio, é que o grosso do dinheiro venha dos asiáticos. NBA e AEG farão um aporte financeiro módico. Mas investirão, com certeza.

“Os fundamentos da economia chinesa parecem muito bons para as empresas dos EUA”, disse John Frisbie, presidente da Câmara do Comercia EUA-China. Seguindo a linha de Nassif, Frisbie afirmou que os chineses sentirão a crise mundial, mas continuarão sendo o foco principal de investimento por um longo tempo.

NBA e AEG pretendem ver os chineses dando o OK para a construção das arenas com um mimo nada desprezível: a criação de uma segunda joint venture, esta entre a NBA e a China Basketball Association.

Num futuro próximo, com os atuais endinheirados norte-americanos bem mais pobres, o medo de Stern é que as arenas dos EUA estejam bem vazias nos jogos do campeonato da NBA. Arenas desocupadas significam menos dinheiro num todo. E o empobrecimento das equipes será inevitável.

A saída seria a China. Stern não quer perder dinheiro e nem esta oportunidade. Por isso a idéia da construção dessas 12 arenas em solo chinês. Elas terão em média 19 mil lugares, confortáveis e extravagantes, para atender os milionários chineses, e também mais simples, para premiar os mais modestos.

O projeto pode demorar até duas décadas; ou menos, como querem NBA e AEG. Com os ginásios em pé, a NBA China, um dos braços da liga, deve frutificar de maneira avassaladora. A filial chinesa foi criada no ano passado, tendo a Walt Disney Company e quatro empresas chinesas entre seus investidores, o que redundou um aporte de US$ 253 milhões.

Não é pouco dinheiro. Ao contrário, é muito. Por isso mesmo, quem sabe, no futuro, a gente não venha ter equipes tão fortes na China como as dos EUA? Por que não o recrutamento de universitários do college norte-americano por equipes chinesas? E não seria improvável que os futuros Kobe Bryant e LeBron James venham atuar por equipes da China. Por que não? Afinal de contas, os chineses são apaixonados pelo basquete – especialmente o da NBA.

Os torneios masculino e feminino nos Jogos de Pequim foram um sucesso. Em Atenas, 247 mil pessoas assistiram as duas competições. Em Pequim esse número subiu para 448 mil. Cerca de 100 milhões de chineses viram pela tevê o jogo entre EUA e China do torneio masculino, partida, aliás, com maior audiência televisiva na história do basquete olímpico.

Stern está atento aos mercados. Desde que entrou para a NBA, em 1984, a liga só fez crescer. Antes dele, ela era associada a jogadores drogados e times falidos. Seus jogos não eram transmitidos ao vivo nem mesmo para os EUA.

Em 1979, por exemplo, quando o Lakers foi campeão, Magic Johnson, então um novato na liga, telefonou do ginásio do Forum de Inglewood, onde o time de Los Angeles jogava, para o pai, que estava em Lansing, Michigan. Assim que Earvin Johnson Sr. atendeu, Magic disse: “Fomos campeões!”

Isso mesmo, ligou apenas para dizer que tinha acabado de ganhar seu primeiro título na NBA, pois a partida seria mostrada apenas em vídeo teipe para os EUA. Hoje, isso é inimaginável. Só para se ter uma idéia, o campeonato passado foi transmitido ao vivo para 215 países.

Stern não quer perder tudo o que construiu. Afinal de contas, sempre mostrou-se competitivo. Não teve vergonha de, no primeiro dia de trabalho como presidente da NBA, atravessar a Quinta Avenida em Nova York e ir ao escritório da NFL e perguntar ao seu presidente o que ele fazia para que o futebol americano fosse tão popular e lucrativo.

Como hoje ele não tem vergonha de atravessar o planeta e pedir auxílio para os chineses.


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AP

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