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Basquete

13/10 - 12:49

Em entrevista exclusiva, Nenê diz que está curado e pronto para arrebentar na NBA
Mais contido, pivô esquece polêmica com presidente da CBB, mostra fé no Denver Nuggets e fala até em título

Fábio Sormani, especial para o iG Esporte

SÃO PAULO - Nenê está de volta. Depois de um período de turbulência em sua vida pessoal, quando lutou e venceu um câncer no testículo, o primeiro brasileiro de sucesso na NBA vem a todo o vapor. Em forma e forte como nunca. E confiante.

O iG conversou com ele por e-mail. Note que duas perguntas ele não quis responder. Nas demais, não se omitiu; mas suas respostas são uma clara evidência de que ele, hoje, é uma pessoa mais madura, não disposta mais a comprar brigas com ninguém, como fez no passado com Gerasime Bozikis, presidente da CBB. À época, afastou-se da seleção brasileira por discordar da maneira equivocada com que Grego, como é conhecido, dirigia – e dirige – a entidade. E deixou claro: não jogaria mais na seleção enquanto ele não se afastasse do cargo.

Esse Nenê parece não existir mais. Hoje ele quer paz. Voltou à seleção mesmo com Grego no comando da CBB quando disputou o Pré-Olímpico de Las Vegas, no ano passado. Tenha certeza: polêmica é uma palavra que não faz mais parte de seu dicionário.

Acabou de requerer o "green card" ao governo norte-americano. Dentro de seu plano de levar uma vida sossegada, entrar em sair dos EUA à vontade é parte importante. E locomover-se livremente por lá também. Por isso o "green card", segundo ele, é necessário. Quer se integrar definitivamente à sociedade norte-americana.

Isso, no entanto, não significa que ele deixará de ser brasileiro. Longe disso. Terá dupla nacionalidade. Com isso, poderá manter vivo seu desejo de continuar jogando pela seleção brasileira, projeto do qual ele não abre mão. Quer disputar o Mundial da Turquia, em 2010, e os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

Confiante não apenas nele, mas no time também, Nenê acredita que esta poderá ser a temporada dele e do Denver. Tomara, pois é chegado o momento. As cobranças não são poucas. Seu alto salário (há dois anos assinou um contrato de US$ 60 milhões por seis temporadas) impulsiona os críticos. Mas Nenê tem o apoio dos torcedores e principalmente da franquia, o que deixa-o seguro para realizar o seu trabalho.

Que ele começou bem, diga-se. Nos dois primeiros jogos desta pré-temporada, o time do Colorado somou duas vitórias, contra Minnesota (118-95) e Phoenix (77-72). E Nenê obteve médias de 10 pontos e sete rebotes.

Precisa melhorar, ele sabe, mas sabe também que é só o começo. A pré-temporada é de ajustes. Nenê tem que aproveitá-la o máximo que puder, pois a partir do dia 28, quando o campeonato começar, o bicho vai pegar. E o pau vai comer, especialmente dentro do garrafão.

Nenê tem que estar 100%. Garante que estará.

Nenê, nós aqui no Brasil queremos saber, antes de tudo, como é que você está?
Estou bem, me sinto bem, estou recuperado e muito motivado para essa temporada que vai começar.

A quimioterapia já acabou?
Sim, graças a Deus.

Quais serão os próximos passos no tratamento?
Já estou treinando, cuidando da parte física e trabalhando muito em quadra, me preparando da melhor forma possível para entrar bem este ano. Quanto ao tratamento, preciso fazer alguns exames periodicamente, por recomendação médica, apenas no sentido de acompanhamento.

Bem, vamos falar de bola então. Depois de tantos problemas, você acredita que chegou definitivamente o seu momento?
Tive alguns problemas, como todos sabem, de saúde e de lesões, e está tudo bem agora. Só penso em entrar, jogar bem e ajudar o Denver Nuggets.

AP
Nenê em ação contra o Timberwolves
Depois da troca do Marcus Camby, você vai ser o xerife do garrafão do Denver. É muita pressão? Até porque os grandes pivôs estão do lado do Oeste: Andrew Bynum, Yao Ming, Shaquille O’Neal, Greg Oden, Tim Duncan e o Camby.
Gosto de ter responsabilidade, isso me motiva muito. Sempre fui assim. Temos excelentes pivôs do lado Oeste, mas também há ótimos pivôs no Leste. Perdemos o Camby, que era um jogador muito importante no esquema da nossa equipe, mas chegaram outros jogadores e acho que temos uma boa temporada pela frente, uma temporada para sonhar alto.

Dos pivôs mencionados, qual é o mais difícil de ser marcado? E do Leste, tem alguém que te tira o sono?
Acho que não há este ou aquele pivô que eu possa apontar como sendo o mais difícil de ser marcado. Todos são muito bons, respeito a todos eles, são jogadores de qualidade, mas com características diferentes, e é preciso marcar com inteligência para levar vantagem.

Por falar nisso, aqui no Brasil você jogava como ala-pivô. Seu jogo era mais vistoso. Você pontuava como nunca e era um grande reboteiro. No Denver, com a contusão do Camby, logo no início, você passou a jogar como pivô. Acha que isso foi um bom negócio ou lamenta essa mudança de posição? Até porque você foi draftado como ala/pivô.
Quero ajudar a equipe, jogar como me sentir bem e como for mais útil ao esquema do "coach" [George] Karl. Posso jogar como ala/pivô ou pivô, em cada posição desempenho um papel diferente, mas o importante é poder ajudar o time, colaborar da melhor maneira possível. Gosto de jogar de ala/pivô, mas também gosto de atuar como pivô.

Como é que está a questão do peso? O staff médico do Denver quer você mais magro, com 112 quilos, mas você bate o pé para jogar com os atuais 121 quilos. Esse peso todo não te limita os movimentos em quadra ou você se sente mais seguro para jogar no garrafão?
Nenê não respondeu

Depois de ter passado por tudo o que passou, qual é o seu projeto para esta temporada em termos de jogos? Quantas partidas você planeja jogar? A temporada toda?
Quero jogar todos os jogos, quero poder jogar a temporada inteira.

E por falar nisso, quantos minutos você imagina ficar em quadra por partida?
O máximo que eu puder. Quero entrar e jogar.

Vamos falar do time. O Denver está pronto para chegar aos playoffs? Pergunto porque muitos críticos colocam o time fora desta fase. Imaginam que Lakers, New Orleans, Houston, San Antonio, Utah, Phoenix, Dallas e Portland serão os classificados. O que você acha disso?
Temos que pensar passo a passo, jogo a jogo. E o nosso primeiro objetivo é entrar nos playoffs, na melhor posição possível, de preferência entre os quatro, para termos a vantagem do mando de quadra no primeiro confronto. Mas um passo de cada vez. O primeiro objetivo é a vaga nos playoffs. Temos confiança no nosso time, no nosso grupo, e só dependemos das nossas forças, do nosso talento e da nossa qualidade para alcançarmos os nossos objetivos.

Os críticos também falam que o Denver pode implodir durante a temporada, pois a franquia trocou o Camby (adorado por todos, inclusive por você), não estendeu o contrato do Allen Iverson (o que o teria deixado insatisfeito), Carmelo Anthony é individualista e o Kenyon Martin já não está mais no auge da carreira. Você concorda com tudo isso?
Desculpe, os críticos têm suas opiniões, que respeitamos, e nós temos as nossas. Se não acreditássemos na nossa força e no que podemos fazer juntos, nem entraríamos em quadra.

E quanto ao “coach” Karl, como é que ficou o relacionamento dele com o grupo depois dos playoffs passados? Na eliminação diante do Lakers ele declarou que o time não tinha coração e havia desistido da série antes de ela ter terminado.
Vamos pensar nesta temporada que está começando. O que é do passado ficou no passado. Temos um ano inteiro pela frente e muito trabalho a fazer.

Sobre esta temporada, você acha que o Boston é o grande favorito ao título ou acredita que o campeão sairá desta vez do Oeste?
Acho que o Boston, por ser o atual campeão, é um dos candidatos ao título sim, mas a liga hoje é muito equilibrada e há equipes que podem surpreender. Temos pelo menos 10, 12 equipes de excelente nível, em condições de disputar o título, e o Denver é um desses times.

Agora seleção. Quais são seus projetos para ela?
Fiquei fora do Pré-Olímpico de Atenas por questão de saúde, como todos sabem, mas queria muito ter estado em Atenas. Mas confio muito de que esse grupo de jogadores, que vem disputando as competições pelo Brasil nos últimos dois anos, é um grupo forte o bastante para ajudar a Seleção Brasileira a voltar aos melhores dias. No momento, só penso no Denver, em fazer uma grande temporada.

O que você acha de o Moncho Monsalve ficar até o final do Mundial de 2010 na Turquia?
Ouvi coisas boas sobre ele. Não tivemos um contato muito próximo, mas li também sobre o seu trabalho à frente da Seleção Brasileira. A questão da permanência de um treinador é algo que compete apenas à CBB, cabe a ela avaliar se é positivo e interessante ou não a permanência de um profissional no comando de sua comissão técnica. Se ele permanece é porque agrada, aí precisa ter apoio e segurança para poder desenvolver um bom trabalho.

Ele tenta adaptar o nosso basquete ao europeu, respeitando nossas características, claro. O que você pensa disso, uma vez que nossos principais jogadores, você, Leandrinho e Varejão jogam na NBA num estilo completamente diferente?
Não posso falar muito sobre o trabalho do Moncho porque não o conheço pessoalmente e não trabalhei com ele. Acho que o Brasil precisa encontrar o seu estilo de jogo e, para isso, pode e tem muito o que aprender de outros estilos. Temos que assimilar o que os outros têm de bom e criar uma identidade para o nosso basquete.

Você está acompanhando a criação desta nova liga? Acha que pode ser a saída para o caos em que o nosso basquete se encontra?
Não, não estou sabendo muito sobre isso, não. Acho que tudo que for para o bem do basquete, que puder ajudar o nosso esporte a crescer, precisa ser apoiado.

Você criticou demais o Grego em um dado momento. Como avalia atualmente a direção do nosso basquete?
Nenê não respondeu

Em maio do ano que vem haverá eleições. O Grego fala em se reeleger. Você acha que seria saudável a troca de comando?
Quem tem direito a voto, é que tem a consciência de se as coisas estão boas ou não, se alguma mudança é necessária ou não. Eu sou apenas um jogador.

Nenê, obrigado. Gostaria de falar sobre algo que não foi mencionado na entrevista?
Gostaria apenas de agradecer a todos pelas mensagens de força e carinho desde que descobri a doença. Muitas pessoas, conhecidas, anônimas, fãs, crianças, enfim, gente do mundo todo que enviou coisas bonitas, palavras de conforto que me ajudaram muito a superar os momentos difíceis e a estar aqui hoje, recuperado e feliz.


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Nenê em ação
Pivô já jogou na pré-temporada do Nuggets e está pronto para se reerguer

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