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Basquete

10/07 - 20:44

"Ele deixou claro que nunca me quis no grupo", diz Iziane sobre Bassul

"Nunca deveria ter ido jogar com Paulo Bassul", afirma a jogadora, que foi afastada no decorrer do Pré-olímpico

Gazeta Esportiva

SÃO PAULO - Fora da seleção brasileira feminina de basquete que irá aos Jogos Olímpicos de Pequim, a ala Iziane rebateu as críticas feitas pelo técnico Paulo Bassul e negou que tivessem conversado alguma vez sobre a necessidade de mudar seu comportamento.

"Nunca conversei com ele sobre mudar", diz à Gazeta Esportiva.Net. "A única conversa que tivemos foi após o jogo com Cuba, no Pré-olímpico do Chile, e foi sobre o jogo".

Afastada da equipe durante o Pré-olímpico Mundial da Espanha, em junho, por se recusar a entrar em quadra após substituição, a ala admite que a relação com o treinador sempre foi complicada. "Desde a seleção juvenil, ele tentava me confrontar, dizendo que eu não era jogadora de grupo. Mas nunca conversamos sobre mudança de comportamento".

Apontada como virtual substituta de Janeth desde que começou a defender a equipe principal, aos 20 anos, Iziane acha que a parceria nasceu fadada ao fracasso. "Nunca deveria ter ido jogar com ele. Só fui porque era pelo meu país, que tenho muito orgulho de defender. Mas sabia que isto ia acontecer".

Alvo de críticas desde o corte, a jogadora acredita que foi incompreendida porque as pessoas só tomaram conhecimento de um lado. "O Paulinho tem uma opinião formada sobre mim. Nas entrevistas, ele disse que não sei jogar em grupo, mas isto é mentira. Eu me adapto em qualquer situação".

Para justificar a teoria, Iziane lembrou sua passagem pelo Seattle Storm, na WNBA. "Durante três anos fui a quinta opção em Seattle, ou seja, era a última opção. Mas tudo bem, tem equipes nas quais eu vou e é este o meu papel. Acho que ele tem de ver um pouco melhor o meu histórico".

Assim como o próprio treinador, a jogadora não vê chances de voltar a vestir o uniforme brasileiro. "Ele está há pouco tempo no time, uma mudança não deve acontecer em breve e com ele não jogo mais", diz.

Paulinho assumiu a seleção após os Jogos Pan-americanos Rio-2007. Sua primeira competição foi o Pré-olímpico das Américas, no qual o Brasil foi terceiro colocado. Este ano, no Pré mundial, a equipe obteve a classificação para Pequim.

Uma conversa resolveria os atritos? Ela acha que não. "Até havia esta possibilidade, mas nas entrevistas ele deixou claro que não sabe nada do meu jogo e que nunca me quis na equipe. A situação chegou em um ponto insuportável e a melhor decisão é ficarmos afastados".

Quarta colocada com o Brasil na Olimpíada de Atenas-2004, Iziane confessa que sentirá saudade do time, principalmente das amigas, mas minimiza. "Estou até bem tranqüila, porque já fui em uma olimpíada e senti o gostinho. Não é fácil sabendo que tinha condições, mas prefiro não estar lá em uma situação indesejável".

Ainda que fora do grupo, a ala pretende assistir as partidas em Pequim. "Aqui (nos Estados Unidos, onde defende o Atlanta Dream) só vão transmitir os jogos dos Estados Unidos, mas vou tentar ver pela internet", promete.

Mesmo com a repercussão negativa dos acontecimentos, Iziane acredita que não haverá reflexos em sua carreira. "Não interfere em nada nem a opinião do Paulinho nem dos outros. Infelizmente, ou felizmente, há equipes que precisam de jogadoras como eu e continuo tendo as portas abertas".


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AP

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