Equipe se sentiu prejudicada pelas punições a Cacá Bueno e Daniel Serra em Campo Grande

Carros da Red Bull
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Carros da Red Bull

A Red Bull ainda não engoliu as punições aplicadas em Daniel Serra e Cacá Bueno, em Campo Grande, por supostamente estarem acima do limite de velocidade em passagem pelo pit-lane. Depois de enviar um comunicado dizendo que estavam ficando sem paciência com as controversas decisões da CBA, a equipe anunciou nesta quinta-feira (30) que vai protestar nas pistas pela falta de profissionalismo da entidade.

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Para isso, na etapa do Rio de Janeiro deste domingo (30), os carros da equipe rubro-taurina irão aparecer completamente negros – com poucas referências aos patrocinadores –, dando a entender que estão de luto pelo momento que o esporte a motor vive no Brasil. “A gestão desportiva fora das pistas, realizada pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), não está à altura do alto nível de profissionalismo dos pilotos e equipes que participam das competições no Brasil”, diz a equipe em seu comunicado.

A Red Bull pede que, com urgência, quatro mudanças ocorram no automobilismo brasileiro: o profissionalismo dos comissários desportivos, a consistência e coerência nas punições, regulamentos mais claros e transparência nas decisões.

Além de correr com os carros ‘de luto’ a equipe adotou um slogan para o protesto. Tanto em um banner na parte da frente dos carros quanto no próprio comunicado, o time diz que “corrida é na pista”, isto é, a equipe quer que os resultados das provas parem de ser alterados pelas decisões tomadas pela CBA.

Confira o comunicado da Red Bull:

Estamos de Luto

Há nove temporadas, a Red Bull acredita e investe no automobilismo brasileiro, com um único objetivo: brigar por vitórias. Desde seu nascimento, no Brasil e no mundo, a Red Bull tem o esporte a motor como uma paixão que beira o vício.

Infelizmente, uma série de episódios acontecidos nos últimos anos – culminando com a punição dupla por excesso de velocidade em Campo Grande – nos dão a convicção de que a gestão desportiva fora das pistas, realizada pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), não está à altura do alto nível de profissionalismo dos pilotos e equipes que participam das competições no Brasil.

Para que isso finalmente aconteça, acreditamos que seja necessária a implementação, com urgência, de importantes mudanças:

1) Profissionalismo dos Comissários Desportivos:
Em qualquer corrida, as decisões dos Comissários têm o poder de consagrar ou jogar por água abaixo o trabalho dos profissionais que arriscam suas vidas dentro da pista. Trata-se de uma responsabilidade imensa, e que portanto deve ser exercida por indivíduos altamente capacitados e com ampla experiência, não por afiliados políticos de Federações estaduais. Como exemplifica a Fórmula 1 atual, o recrutamento de grandes ex-pilotos é uma das melhores soluções possíveis nessa situação;

2) Consistência e coerência nas punições:
A consequência maior de não possuir Comissários profissionalizados é a repetição frequente de casos de “dois pesos, duas medidas”, em que infrações idênticas são sancionadas de formas diferentes – já que, a cada corrida, diferentes membros de uma respectiva Federação estadual são convocados a atuar como comissários, sem necessariamente ter acompanhado os critérios anteriores utilizados em etapas do mesmo campeonato acontecidas em outros estados. Sem consistência nessas decisões, o espírito esportivo dos resultados fica comprometido;

3) Regulamentos mais claros:
A melhor maneira de evitar “zonas cinzas” nos regulamentos técnicos e desportivos é fazendo uma redação completa e coerente dos mesmos. Textos redigidos da maneira atual, deixando decisões sobre diversos pontos “a critério dos Comissários”, inevitavelmente causarão inconsistências;

4) Transparência nas decisões:
Quando pilotos ou equipes são injustamente punidos por erros que não os seus, o que se espera em um campeonato transparente é que esses erros sejam tornados públicos, de modo a preservar a imagem das partes prejudicadas.

Estamos pedindo demais? Acreditamos que não, e que todas as pessoas que realmente gostam e vivem de corridas em nosso país também adorariam ver esses quatro pedidos atendidos. O automobilismo brasileiro merece – e precisa, para continuar a crescer – ser elevado a um novo patamar de profissionalismo fora das pistas.

Afinal de contas, corrida é na pista.

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