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"Piloto não é dublê", afirma Tuka Rocha

Duas semanas após grave acidente, piloto pede medidas imediatas para melhorar segurança da Stock Car. Confira entrevista exclusiva

Lucas Pastore, iG São Paulo |

Duas semanas após grave acidente na etapa de Jacarepaguá (RJ) da Stock Car, Tuka Rocha já treina normalmente para a próxima prova da temporada, em Interlagos, no dia sete de agosto.

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Em entrevista exclusiva ao iG, o piloto da Vogel classificou como “aterrorizante”, “terrível” e “um inferno” o momento em que tentava se soltar do cinto de segurança e sair do carro em movimento enquanto o bólido pegava fogo.

Apesar do desejo de voltar a correr, Rocha faz questão de enfatizar a necessidade de tirar lições de seu acidente e melhorar a segurança da categoria. “Não dá para entrar no carro com esse perigo. Está todo mundo preocupado”. Confira a seguir o bate-papo com o piloto:

iG: Quais lições a Stock Car pode tirar do seu acidente?
Tuka Rocha:
Acho que a lição é que o carro é muito frágil para o fogo. Vamos ter uma reunião com todas as equipes, a comissão de pilotos e eu, pra saber o que deve ser adotado. Já devemos ter mudanças no carro. Isso preocupa muito. Tive sorte, mas talvez alguém em outra ocasião pode não ter tanta sorte. Não podemos correr esse perigo todo. Temos de estar em um lugar seguro. Tive tempo de parar o carro, de me jogar. Ninguém é dublê, ninguém é artista e nem coisa parecida para ter de pular de um carro em movimento. Graças a Deus deu tudo certo, poderia ter sido uma tragédia.

iG: Dá tempo de encontrar as soluções de segurança antes da Corrida do Milhão (próxima etapa da temporada da Stock)?
Tuka Rocha:
Tem de ser assim. Não dá para entrar no carro de novo com esse perigo, está todo mundo bem preocupado para falar a verdade. Temos de fazer essa preocupação virar uma solução, temos vários procedimentos a serem adotados. A parede corta fogo não funciona nada, isso já foi comprovado, e temos muitos materiais inflamáveis no carro.

iG: Você considera o circuito de Interlagos – palco da próxima prova – seguro?
Tuka Rocha:
É um circuito de Fórmula 1, então tem de ser seguro. É a pista mais segura em que a gente corre. Infelizmente a Curva do Café é muito rápida para a Stock Car, mas já vai ser adotada uma chicane na entrada da reta. É um procedimento que não vai ser o melhor, mas que tem de ser feito agora e vai solucionar o problema. Vimos uma sequência de erros que acabaram vitimando o Sondermann, depois de termos perdido o Rafael. As mudanças precisam ser feitas. Mas nosso carro é mais seguro que o da Copa Montana. O carro deles não tem a mesma tecnologia e segurança, infelizmente. Eles correm com um carro defasado. A Stock Car é uma categoria segura, que tem condições de solucionar esse problema do fogo e os outros problemas que a gente teve até hoje.

iG: E como está sua vida depois do acidente? Já está fisicamente recuperado?
Tuka Rocha:
Estou voltando, já tive alta para fazer alguns tipos de exercício físico. O telefone não para de tocar, toda hora chega um monte de mensagens. Mas daqui a pouco tudo já volta ao normal.

iG: Porque você não estava conseguindo treinar?
Tuka Rocha:
Por causa da lesão pulmonar. Tive de ficar sem fazer nada. Mas já estou zerado. Estou bem para caramba. Agora é esperar passar as queimaduras que tive na bunda e no braço pra voltar a ficar 100%. Mas pelo que passei, isso é o de menos, já está tudo bem, graças a Deus.

iG: Qual sensação foi mais intensa, o medo quando estava dentro do carro ou o alívio que sentiu quando viu que estava tudo bem?
Tuka Rocha:
Não cheguei a perder a consciência, estava ciente de tudo. O pior foi o carro, ver que estava em chamas, e a fumaça era muito preta. Eu estava quase apagando, isso foi o mais desesperador.

iG: E você ainda pensa no acidente? As imagens ainda aparecem na sua cabeça?
Tuka Rocha:
Sim. Já vi o vídeo umas 100 vezes, vi as matérias que têm saído. É uma coisa que não tem como esquecer. É uma sensação que nunca vou esquecer. Foi aterrorizante, terrível. Um verdadeiro inferno.

iG: E como acha que vai ser voltar ao carro?
Tuka Rocha:
Minha vontade é voltar a acelerar, sentar no carro, mas com certeza as imagens vão ficar na minha cabeça.

iG: Passa pela sua cabeça a possibilidade de vencer a Corrida do Milhão na sua volta às pistas?
Tuka Rocha:
Passa, mas é meu primeiro ano, então acho que, se ficar pensando em vencer, vou perder meu foco, que é melhorar a cada corrida. Já estou super feliz em estar aqui. Mas vamos ver, se der uma sorte, levar o prêmio não vai ser nada ruim. Mas estou focado em melhorar corrida por corrida, e focado na minha volta às pistas. Meu patrocinador pessoal vai patrocinar a corrida, então a festa vai ser grande.

iG: Você já pensou o que faria com o dinheiro se ganhasse?
Tuka Rocha:
Não tenho nem ideia, não quero nem pensar nisso (risos). Mas o fogo quase acabou com a minha vida, então posso doar uma parte para um hospital que cuide de pessoas queimadas, que mexa com algo desse tipo.

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