Eric Granado morou na Espanha e foi único brasileiro a correr no Mundial. De volta ao país, ele mudou os planos da carreira para 2015 e aproveitou para tirar sua carteira de habilitação

O piloto de motovelocidade Eric Granado
Luiz Pires/Vipcomm
O piloto de motovelocidade Eric Granado

O paulista Eric Granado herdou do pai a paixão por andar em duas rodas. Ganhou a primeira moto aos 6 anos e pegou gosto pelas competições. Atualmente com 18, já carrega duas temporadas de experiência nas categorias inferiores do Mundial de Motovelocidade (Moto2 e Moto3) - é o primeiro brasileiro a correr o circuito desde Alexandre Barros, que deixou a MotoGP, a Fórmula 1 das motos, em 2007, após mais de duas décadas de carreira internacional. Acostumado a andar acima de 300km/h nos circuitos, ele ainda não pode mostrar sua destreza pelas ruas. O motivo: não ter CNH, a Carteira Nacional de Habilitação.

"Como eu morei na Espanha o ano passado inteiro não tive tempo de tirar. Por sinal, já fiz a prova prática de moto e talvez daqui a uns 15 dias vou estar habilitado. A prova de carro eu já tinha feito e passei", explicou o piloto ao iG Esporte na última quarta-feira, durante evento promovido pela Honda, em São Paulo.

Enquanto aguarda a licença para pilotar nas ruas, Eric Granado planeja a atual temporada. Após uma performance ruim na Moto3 em 2014, em que marcou apenas dois pontos em 15 GPs e sofreu um grave acidente em Phillip Island, na Austrália, em outubro - quebrou um dos dedos da mão direita, teve achatamento de quatro vértebras e e um estiramento nos ligamentos da coluna após duas quedas -, ele voltou para o Brasil e optou por não correr o Mundial. Vai se dedicar ao Campeonato Europeu da FIM e ao Brasileiro Moto 1000 GP. A decisão, aparentemente um passo atrás na carreira, é uma estratégia para angariar melhores oportunidades futuramente.

"Vou fazer o Campeonato Europeu para me fortalecer e me preparar mais para a Moto2. Como é muito competitivo, meu objetivo é brigar por posições dianteiras, crescer a evoluir como piloto, já que a moto é exatamente igual à do Mundial. Se eu perceber que estou evoluindo, com tempos bons e andando na frente, eu posso dar um salto para o Mundial em 2016", explicou. Eric até recebeu propostas para seguir no Mundial, mas que exigiam uma estrutura que, em princípio, ele e as pessoas que cuidam de sua carreira não tinham como garantir.

O brasileiro Eric Granado sofre queda em treino livre da Moto3 na Austrália
Mirco Lazzari gp/Getty Images
O brasileiro Eric Granado sofre queda em treino livre da Moto3 na Austrália

Além do suporte da família, Granado aposta que está fazendo o melhor para a carreira baseado também nos conselhos que recebeu de seu ídolo: o italiano Valentino Rossi, maior campeão da história da motovelocidade, com nove títulos mundiais em três categorias diferentes. "Tenho uma relação muito estreita com ele, o manager da minha equipe no ano passado é muito amigo dele, então a gente sempre conversava, às vezes depois das corridas. Ele me deu algumas dicas, fala para ter muita cabeça, tomar cuidado com as decisões que toma, ser explosivo nas corridas, no sentido de andar em ritmo alto. É um cara que admiro muito e já me elogiou, disse que eu tenho talento e capacidade."

Com esse "recomeço", Granado espera alcançar seu objetivo maior. "Meu sonho é chegar à MotoGP e lutar para ser campeão. Alexandre Barros foi o melhor piloto do Brasil, em termos de resultados e por tudo que fez pela motovelocidade, mas meu objetivo é chegar lá e representar o país tão bem quanto ele. Esse é meu sonho desde que comecei a andar de moto", disse.

A estreia do brasileiro no Campeonato Europeu será em 26 de abril, na cidade de Portimão, em Portugal. Pelo menos a partir deste ano, com a carteira de habilitação nas mãos, ele não precisará mais de carona para ir às corridas.

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