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"Há 70% de chance de um brasileiro vencer", diz Castroneves

Em entrevista exclusiva ao iG, piloto fala de segurança na Indy, problemas na prova de 2010 e momentos de descontração no Brasil

Lucas Pastore, iG São Paulo |

No próximo domingo (1º), a cidade de São Paulo receberá uma etapa da IndyCar pelo segundo ano consecutivo. Em 2010, a corrida ficou marcada pela forte chuva, que formou poças d’água em vários trechos da pista, e pela falta de aderência do asfalto - o que ocasionou algumas rodadas inesperadas.

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Para este ano, a expectativa é outra. Assim pensa Helio Castroneves. Em entrevista exclusiva ao iG, o piloto da Penske apontou uma melhora nas condições do Circuito do Anhembi. O “Homem-Aranha” avaliou também as condições de segurança do autódromo paulista e do automobilismo em geral.

Sobre a prova, Castroneves (que tem o sétimo lugar no GP do Alabama como melhor resultado da temporada), afirmou que não há vantagem técnica por correr no Brasil, mas acredita no bom desempenho dos brasileiros. Para ele, a chance de um piloto da casa subir no lugar mais alto do pódio é de 70%.

Desde 1997 morando nos Estados Unidos, o paulista de Ribeirão Preto falou também dos momentos de lazer que tem neste período de Indy no Brasil. Na última quarta-feira (27), Castroneves visitou a escola de samba Camisa Verde e Branco e acompanhou o jogo do São Paulo, seu time de coração, pela Copa do Brasil.

Acompanhe a entrevista completa do piloto ao iG.

iG: Quais impressões ficaram da prova em São Paulo no ano passado, na estreia da pista?
Castroneves: O desenho da pista é muito bom. A reta enorme da Marginal é fantástica, é um ponto de ultrapassagem excelente, o que não acontece muito em corridas de rua. É legal que a gente tenha esse tipo de circuito aqui. A vibração, a energia positiva no Brasil é diferente. É bom dar chance pra galera ver os carros de pertinho e torcer.

iG: Algum problema ficou marcado? Acha que eles foram solucionados a tempo para este ano?
Castroneves: É natural enfrentar certos tipos de problemas no primeiro ano, principalmente no ano passado, pelo espaço menor entre o carnaval e a corrida. Mesmo da reta do sambódromo, que teve problemas, o pessoal gostou. Tanto é que estamos de volta. Vamos esperar para ver se o tempo ajuda. Já recapearam a pista, acredito que fizeram as ranhuras necessárias. Quanto à drenagem, no ano passado corremos em época de chuva, então, mesmo com uma boa drenagem, tudo depende do volume de chuva.

nulliG: Você certamente ficou sabendo dos óbitos em Interlagos neste ano. Qual foi a última vez que correu lá? O que achou dos casos?
Castroneves: Creio que foi nas 1000 milhas de 2006. Acredito que todas as entidades, pista, categoria, equipes, têm de analisar o acidente cuidadosamente. O automobilismo é perigoso, é show, é adrenalina, mas temos de nos proteger. Tentamos conter esses riscos. Temos de aprender com isso para não acontecer novamente.

iG: E quanto à Indy? Você tem 100% de confiança na segurança da categoria?
Castroneves: Todos os anos a gente procura conversar para ver o melhor para a categoria. Nosso carro é um monoposto, fica com as rodas expostas. Tem seus riscos, mas faz parte. Ao longo dos anos, aprendemos a lidar com isso.

iG: E o que você pensa a respeito da segurança do circuito de rua de São Paulo especificamente?
Castroneves: É um circuito seguro, rápido, e ótimo por conta da largura da reta da Marginal. Isso evita problemas de fechamento, de bloqueio. Deveriam existir mais circuitos parecidos.

iG: Uma discussão frequente nesta temporada, relacionada à segurança da IndyCar, tem a ver com a relargada. O que você acha das novas regras?
Castroneves: Sou o primeiro a dizer que é uma situação com a qual não concordo, mas temos de nos adaptar. Não estou me adaptando tão bem quanto os outros, e espero que isso possa melhorar.

iG: No ano passado tivemos um acidente na primeira curva, logo após a largada. Você participou dele. Como foi?
Castroneves: É muito importante conseguir se posicionar bem no grid para pelo menos tentar evitar esse tipo de problema.

iG: Você acharia uma boa ideia a largada ser na reta da Marginal, e não na reta do Sambódromo?
Castroneves: Seria uma excelente solução para não termos tantos acidentes, até pela largura da pista. Mas temos de ter bom senso e contar também com o fator público, com o show, e largar na reta com as arquibancadas principais tem a ver com isso.

iG: Você preferia que a etapa brasileira abrisse a temporada, como foi em 2010. Ou acha bom ficar mais para o meio da tabela, como neste ano?
Castroneves: Seria bacana dar a oportunidade do Brasil ser nesse comecinho de temporada. Mas, pra falar a verdade, a ordem dos fatores não altera o produto. Agora, a corrida vai ser uma antes das 500 milhas de Indianápolis. Isso aumenta a importância da prova, vai cativar mais, o pessoal vai estar mais focado.

iG: Nesta temporada, a Bia Figueiredo assinou contrato para correr a temporada inteira. O Tony Kanaan começou bem, e é o terceiro no campeonato. Como você vê o momento dos brasileiros? O sucesso deles te pressiona de alguma forma?
Castroneves: Pelo contrário. Em São Paulo, vamos estrear um novo patrocinador. Mostra que, com os brasileiros bem – temos a Bia, o Tony, e também o Vitor (Meira) e o Rafael (Matos), não podemos esquecer - as empresas locais apóiam um pouco mais, e melhora a situação econômica.

iG: Esse tipo de patrocínio pontual chega a interferir no desempenho do carro?
Castroneves: Sempre ajuda. Pra corrida de domingo, a Penske está mudando várias coisas entre o meu carro e do (Ryan) Briscoe. Tínhamos um patrocínio forte no ano passado, e agora a equipe está dando oportunidade para outras empresas estamparem suas marcas.

iG: Os pilotos brasileiros têm algum tipo de vantagem por correr no país?
Castroneves: Não. O terreno é bem parecido com os americanos, e é igual para todo mundo. Adoraria que fosse favorável, mas no nosso caso infelizmente o motor Honda apita um pouco mais alto do que o barulho da galera.

iG: E como você avaliaria as chances de um brasileiro vencer a corrida?
Castroneves: Diria que são grandes. Sempre maiores do que 50%. Creio que uns 70%.

iG: Além dos brasileiros, quem você acha que são os favoritos da prova? Contra quem o público local tem de torcer?
Castroneves: Tem o Will Power, que tem Power até no nome, e o Dario Franchitti. Eles são os líderes da temporada, e não podemos deixar esse pessoal escapar. Fora isso, é mais torcer a favor dos brasileiros, não contra ninguém.

iG: Seu começo de temporada está abaixo do esperado. Falta alguma coisa para brigar lá em cima?
Castroneves: Está faltando muita coisa. O começo foi muito ruim, o que me deixa frustrado, chateado. É um começo muito atípico. Ter um probleminha em uma prova faz parte, mas em três? Espero que a corrida de São Paulo seja a reviravolta. Vem em uma excelente hora, no momento certo. É importante para o campeonato.

iG: Nessa semana de corrida no Brasil, muda muito o assédio da imprensa e do público? Você gosta ou acha ruim?
Castroneves: A gente tem de olhar as coisas de uma maneira diferente, dar oportunidade a todos da imprensa, principalmente pelo fato de virmos só uma vez por ano e por ser uma cobertura nacional, local. É importante. Fico contente por estar passando por isso. O carinho está crescendo a cada ano, a Indy ficou muito tempo afastada do público brasileiro.

iG: Por conta dessa distância, você acha que tem mais fãs americanos do que brasileiros?
Castroneves: Hoje em dia, tenho mais fãs americanos, até pelo fato de Indianápolis ser uma corrida principal, e também por estar há muito tempo na categoria. Também participei do programa “Dançando com os Famosos”, que é assistido por milhões de pessoas, o que ajudou. Enquanto isso, no Brasil, é apenas a segunda prova.

nulliG: Você disse que o “Dançando com os Famosos” ajudou em sua popularidade nos Estados Unidos. Tem também sua comemoração, no alambrado, que lhe rendeu o apelido de “Homem-Aranha”. Você se considera um piloto carismático? Acha que isso ajudar em sua carreira?
Castroneves: Minha mãe sempre me disse para ser eu mesmo, para não tentar imitar ninguém. E é assim que sou. Simples, emotivo, mostro meu lado bom e também o meu lado ruim, mas tenho sangue brasileiro. Gosto de mostrar minha emoção, principalmente no lado bom.

iG: Acha que uma vitória aqui pode ter o mesmo efeito para o público brasileiro que as vitórias nas 500 milhas tiveram para o público americano?
Castroneves: Sem dúvidas. Se eu vencesse, teria um reconhecimento ainda maior.

iG: No Brasil, tivemos dança, já que você visitou a escola de samba Camisa verde e Branco na quarta-feira. Veremos o “Homem Aranha” subindo na grade no domingo também?
Castroneves: Posso prometer que vou dar o meu melhor para isso.

iG: Quantas vezes por ano costuma vir ao Brasil. Dá para aproveitar quando vem para cá? Castroneves: Normalmente venho umas três vezes por ano. Neste, antes dessa semana, tinha ficado só 24h, literalmente. Mas fiz um bem bolado nessa semana, com família e imprensa juntas. Foi o que deu pra fazer, e acabou dando certo. O mais importante é que família e amigos entendem, minha vida sempre foi assim. Pretendo voltar no fim do ano.

iG: Nesta quarta-feira você esteve no Morumbi. No ano passado, visitou o treino do São Paulo quando veio ao Brasil. Como é para um brasileiro torcer de longe para um time de futebol?
Castroneves: Não entendo muito de futebol, sou mais aquele torcedor que quando o São Paulo ou o Brasil está em campo, torço. Foi a primeira vez que fui ao Morumbi. Sou da época de 1991, 1992, dos campeões do mundo, do Raí, do Ronaldão. Adorava o Ronaldão. Quando saí do Brasil, perdi um pouco o contato. Hoje sei de algumas coisas, sei do Lucas, que infelizmente se machucou e não pôde jogar. Meu pai sempre me deixa atualizado.



 

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