Heptacampeão e britânico perderam rendimento após conquista antecipada. Piloto da Red Bull já venceu o primeiro GP depois do bi

O título de Sebastian Vettel nesta temporada veio com quatro corridas ainda a serem disputadas no ano. Por mais que o feito seja grandioso, o piloto da Red Bull não é o campeão com maior antecedência da história da Fórmula 1. As campanhas de Nigel Mansell, em 1992, e de Michael Schumacher, em 2002, superaram a do alemão, com cinco e seis etapas de antecedência, respectivamente.

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Ainda assim, o bicampeão pode superar o aproveitamento de ambos se mantiver um bom retrospecto durante o restante do Mundial. Mansell e Schumacher perderam rendimento após serem campeões, coisa que, pelo menos na primeira prova depois do bi, não aconteceu com Vettel – o alemão ganhou o Grande Prêmio da Coreia do Sul no último domingo (16).

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Mansell, depois de ser campeão na Hungria, venceu apenas mais uma das cinco corridas que restavam. Antes, havia faturado oito vitórias no ano, e somou um aproveitamento de 67,5% dos pontos que disputou. Um dos que tiraram proveito foi Ayrton Senna, vencedor de uma prova nesse período pós-título e segundo com mais conquistas no ano.

Depois de pegar em segundo no Grande Prêmio da Hungria de 1992, Nigel Mansell foi campeão da temporada
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Depois de pegar em segundo no Grande Prêmio da Hungria de 1992, Nigel Mansell foi campeão da temporada

Dez anos depois, com Schumacher, o ritmo foi mais elevado, mas também abaixo do início da temporada. A impressionante campanha pentacampeã do então ferrarista teve 17 corridas, com vitória em onze delas e pódio em todas as outras. O triunfo que lhe garantiu o título veio no Grande Prêmio da França, 11ª etapa do campeonato.

Ao chegar em primeiro naquela corrida, o heptacampeão mundial garantiu seu quinto título ao vencer a oitava das 11 primeiras corridas do ano. Com o campeonato garantido, Schumacher também tirou o pé, mas de maneira mais branda do que aconteceu na campanha de Mansell. O então parceiro de Rubens Barrichello ainda venceu mais três das seis provas restantes – as outras três ficaram com o brasileiro, vice-campeão. Ao final de 2002, Schumacher concluiu o título com 84,7% de aproveitamento – um recorde até hoje.

Mas Vettel, com 87,25% dos pontos disputados até agora , pode superar a marca do heptacampeão. Isso se mantiver os resultados em alto nível – venceu 10 das 16 provas na temporada. E o mais jovem bicampeão da F1 já começou a demonstrar que é essa sua meta para o desfecho do ano. Resta ver qual será a postura do alemão nos GPs da Índia, de Abu Dhabi e do Brasil .

Em 2002, nos Estados Unidos, Schumacher retribuiu a ação de Rubinho no GP da Áustria e deixou brasileiro passar
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Em 2002, nos Estados Unidos, Schumacher retribuiu a ação de Rubinho no GP da Áustria e deixou brasileiro passar
Red Bull deve privilegiar Mark Webber no fim da temporada

Existe algo que pode frear o ritmo de vitórias de Vettel nas últimas corridas da temporada. Christian Horner, chefe da Red Bull, afirmou na última quinta-feira (20) que a meta da bicampeã do Mundial de Construtores para o desfecho do ano será a dobradinha, ou seja, colocar Mark Webber em segundo lugar na classificação do Mundial de Pilotos .

Para isso, o alemão de 24 anos afirmou que está disposto a colaborar. “Faltando três corridas, esperamos conseguir os melhores resultados possíveis para nós, mas também para a equipe”, disse Vettel, em entrevista à agência de notícias AFP . Isso pode significar que, dependendo da situação de cada prova, o campeão pode facilitar uma vitória para o companheiro de equipe.

Casos como esse são comuns na história da categoria. No próprio ano de 2002, a Ferrari, que dominava o cenário da F1 a exemplo do que a Red Bull faz hoje, agiu dessa maneira. Entretanto, a atitude da escuderia italiana veio junto a uma polêmica. Na 6ª etapa daquela temporada, GP da Áustria, o pole position Rubens Barrichello estava nos últimos metros para conquistar sua primeira vitória no ano, quando o time de Maranello, pelo rádio, pediu que o brasileiro abrisse passagem para Schumacher.

Em Indianápolis, pela penúltima etapa da temporada, contudo, a Ferrari, com a intenção de dar a Barrichello o vice-campeonato de 2002, viu o já campeão Schumacher abrir caminho para o brasileiro em situação semelhante ao que aconteceu na corrida austríaca. Foi a quarta vitória de Rubinho na temporada e quinta na carreira. Foi também a primeira vez desde 1993 que um brasileiro terminou o ano na vice-liderança da F1.

Ayrton Senna também já se envolveu em situação parecida. Em 1991, ano do tricampeonato, o ídolo brasileiro deixou seu companheiro de McLaren, Gerhard Berger, ultrapassá-lo na última curva no GP do Japão . A diferença é que justamente naquela prova, penúltima da temporada, Senna se tornou campeão mundial pela terceira vez.

Como Mansell, maior concorrente ao título, abandonou a corrida japonesa, a situação ficou tranquila para a equipe de Senna. Com isso, a poucas voltas do final, o brasileiro recebeu um recado de Ron Dennis pelo rádio, pedindo para ele entregar a vitória a Berger. Mesmo a contragosto, o piloto brasileiro reduziu a velocidade e permitiu a ultrapassagem do austríaco na última curva da última volta, poucos metros antes da bandeirada. Foi a primeira vitória de Berger em dois anos na McLaren.

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