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"Piquet contribuiu muito para a segurança da F1", afirma Andretti

Ítalo-americano elogia aptidão do brasileiro, e diz que piloto era um dos mais interessados da categoria

Lucas Pastore, iG São Paulo |

2011 marca o aniversário de 30 anos do primeiro dos três títulos de Nelson Piquet na Fórmula 1. Para comemorar a data, o iG Automobilismo preparou uma série de entrevistas com grandes personagens daquela conquista. E o primeiro entrevistado é o piloto Mario Andretti, que conta como era sua relação com o brasileiro e fala sobre curiosidades da temporada de 1981 da F1.

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Ainda envolvido no meio automobilístico, Mario Andretti se encontrou com o alemão Sebastian Vettel antes do início desta temporada

Naquele ano, enquanto Piquet partia como um dos favoritos ao título, já que vinha de um vice-campeonato no ano anterior, Andretti vivia situação bem distinta. Estava prestes a deixar a categoria – o que aconteceu no fim da temporada de 1982, quando passou a correr na Indy.

Nascido na Itália, em 1940, Andretti naturalizou-se estadunidense após se mudar para o país da América do Norte devido à Segunda Guerra Mundial. Começou sua carreira no automobilismo relativamente tarde, com 18 anos, e conquistou sua maior glória em 1978, quando foi campeão mundial da F1.

Com o título, Andretti tornou-se um dos dois únicos americanos campeões da história da Fórmula 1 (o outro foi Phil Hill, em 1961). Em sua passagem pela categoria – entre 1968 e 1982– conquistou 12 vitórias e ajudou a popularizar o campeonato nos Estados Unidos, onde IndyCar e Nascar costumam dominar os holofotes do automobilismo.

Em 1981, porém, sua situação na F1 já era outra. Sua melhor classificação naquela temporada foi um quarto lugar, no Grande Prêmio do Oeste dos Estados Unidos, na Califórnia. Restou ao experiente piloto o papel de espectador de luxo na briga pelo título entre Piquet e o argentino Carlos Reutemann.

Das memórias daquele campeonato, Andretti recordou-se da capacidade de Piquet dentro das pistas e também do trabalho do brasileiro nos bastidores. De acordo com o ítalo-americano, os dois se destacavam nas reuniões graças às suas propostas para aumentar a segurança da categoria.

Confira a seguir o bate papo com o campeão mundial de 1978:

iG: O título do Piquet em 1981 foi importante para o automobilismo brasileiro. Você se recorda daquela temporada? Acha que o piloto foi merecedor daquele título?
Andretti: Lembro, claro. Eu me lembro muito bem do Nelson. Ele certamente foi muito importante para o Brasil. Não há dúvidas de que ele era um piloto muito forte. Ele imediatamente mostrou que era muito capaz de lidar com os melhores pilotos do mundo. O título provou isso. Até hoje, continuamos amigos.

iG: No Brasil, Piquet tem a fama de ser uma pessoa de difícil relacionamento. Você já teve algum tipo de problema com ele?
Andretti: O Nelson tinha uma personalidade própria. Sempre teve senso de humor. De modo geral, nunca tive qualquer tipo de problema com ele.

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Foto do GP dos EUA de 1981, vencido por Andretti. O Alfa Romeo do piloto aparece em destaque com o número 22. No fim da fila de três carros, a Parmalat número 5 de Piquet
iG: Como era o Nelson Piquet nos bastidores? Qual era sua influência no meio dos pilotos e junto às autoridades da Fórmula 1?
Andretti: Era um piloto muito interessado, um dos mais interessados na segurança da categoria, e acho que eu era também. Nós tínhamos algumas sugestões para melhorar a segurança do esporte, e foi dessa maneira que ele mais contribuiu, o que foi muito importante para a Fórmula 1. Quando qualquer esporte se torna muito comercial, com patrocinadores investindo milhões de dólares nele, eles não querem ver funerais, eles querem celebrar. Piquet foi um dos que mais manifestou suas ideias para contribuir e aumentar a segurança.

iG: E nas pistas, quais eram suas características mais fortes? Você tem alguma memória do Piquet nas pistas?
Andretti: Basta olhar para suas estatísticas. Nelson era um dos caras que, se você quisesse vencer uma corrida, teria de lidar com ele. Em 1982, eu tive uma bela batalha com ele em Monza, quando substituí Didier Pironi na Ferrari. A pole ficou entre nós dois. Felizmente para mim, fiquei com a pole position. Ele era um piloto muito capaz, muito rápido e muito esperto.

iG: Falando sobre a temporada 2011: você vê algum piloto brasileiro capaz de repetir o resultado que Piquet conseguiu em 1981?
Andretti: Dependendo do equipamento com o qual ele estiver, Felipe (Massa) tem capacidade para pontuar. Há alguns anos, quando ele perdeu o campeonato por apenas um ponto, foi de partir o coração. O Brasil está bem representado por pilotos em todo o mundo, não só na Fórmula 1, mas na IndyCar também. Nelson realmente colocou o Brasil em evidência, inspirou muitos jovens pilotos, foi um grande exemplo.

iG: Para qual campeonato você está mais animado em 2011, Fórmula 1 ou IndyCar?
Andretti: Tenho motivos para estar empolgado com as duas, eu amo a Fórmula 1 e minha família ainda está bastante envolvida com a IndyCar, então tenho interesse nas duas.

iG: Pretende vir para o Brasil para assistir às corridas que o país sedia das duas categorias?
Andretti: (Risos) Depende. Não vou a corridas apenas como espectador, compareço apenas se tiver negócios a serem tratados. Caso contrário, acompanho pela televisão. Mas adoraria ter um motivo para voltar ao Brasil, é um país que amo e aonde tenho amigos. Se tiver motivos de negócios, amaria estar lá.

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