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No especial de 30 anos do 1º título de Nelson, filho mais velho conta ao iG histórias da época e elogia competitividade do pai

Neste ano comemora-se 30 anos do primeiro dos três títulos de Nelson Piquet na Fórmula 1. E, dando continuidade ao especial do iG Automobilismo sobre a temporada de 1981 , Geraldo Piquet, filho mais velho de Nelson, fala com exclusividade ao portal – confira também as entrevistas com Mario Andretti , Héctor Rebaque , Chico Serra e Raul Boesel para o especial.

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Geraldo Piquet, piloto da ABF Mercedes-Benz na Fórmula Truck
Divulgação
Geraldo Piquet, piloto da ABF Mercedes-Benz na Fórmula Truck

Nascido em 1977, Geraldo é o único dos sete filhos do tricampeão a acompanhar todos os títulos do pai (em 1981, 1983 e 1987). É bem verdade que, como era muito novo, a única conquista da qual tem lembranças claras é a última.

Ao iG , Geraldo fala de suas memórias da época do pai na Fórmula 1 , das características de Nelson como piloto e da influência que o tricampeão teve para que ele também trilhasse uma carreira nas pistas. Atualmente, Geraldo é líder do Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck.

Confira a seguir a entrevista exclusiva com Geraldo Piquet.

iG: Quais são as suas lembrança da temporada de 1981?
Geraldo Piquet:
No primeiro título eu era muito pequeno, não lembro muito mesmo. Eu nem tinha quatro anos completos, tinha três. Para falar a verdade, dos títulos, de lembrar mesmo, de torcer, de ficar vendo televisão, eu lembro mesmo só do de 1987. Do resto, tudo o que vejo é reprise, o que acaba confundindo o que é memória e o que eu realmente tinha visto.

iG: Naquela época, você morava na Inglaterra com seu pai ou já estava no Brasil?
Geraldo Piquet:
Em 1978 foi quando ele (Nelson Piquet) foi pra Fórmula 1, a gente morava na Inglaterra. Mas em 1981 eu já tinha voltado para o Brasil.

iG: E como era em 1987? Você assistia a todas as corridas?
Geraldo Piquet:
Sim. A gente se juntava com meus primos na casa do tio Geraldo, irmão do meu pai. A gente assistia às corridas todo mundo, sentados, juntos. Foi o ano do acidente que ele teve. Fiquei preocupado. Eu não tinha muita noção da gravidade da coisa, do que poderia acontecer, os riscos e tudo. Mas em 1987 a gente se reunia para torcer. Tinha a TOP (Torcida Organizada Piquet), que o pessoal se encontrava num bar, numa lanchonete, para assistir às corridas. Isso eu era um pouco mais novo.

iG: E como era relação com seu pai durante a época da F1? Vocês se viam com qual frequência?
Geraldo Piquet:
Era basicamente só nas férias, porque ele praticamente morava em hotéis e aeroportos, então só podia encontrá-lo nas férias. Por causa da minha escola, eu também não podia viajar sempre, toda hora. Então era basicamente nas férias do fim do ano. Ou também quando ele vinha aqui pro Brasil, passar um tempo, descansar, daí a gente também ficava junto.

iG: Quais eram as principais características do seu pai como piloto?
Geraldo Piquet:
Para época ele era um piloto completo, sabia tudo de mecânica, sabia acertar e desenvolver o carro, sabia poupar o carro rápido. Pensava na corrida. Hoje em dia metade dessas coisas você não precisa ter, porque tudo é a eletrônica que faz. Então sem dúvidas ele conquistou tudo, os títulos e as vitórias, por causa dessas características que ele tinha. Era super competitivo também. Então acho que ele era um piloto bem completo.

iG: E qual foi a Influência do seu pai para você também se tornar piloto?
Geraldo Piquet:
Pode se dizer que 100%. A gente acaba vivendo isso e você não sabe fazer outra coisa fora isso. Você não vê graça em, sei lá, ser advogado ou médico. Em uma família de médicos, a criança cresce sentando na mesa de jantar pra falar de exame e operação. Acho que é comum na família que o pai tem determinada profissão a pessoa seguir aquilo. Claro que tem gente que não gosta. Mas no meu caso foi assim. Eu sempre cresci assim, sempre gostei. Tanto no asfalto, como fora do asfalto. Tendo motor e dando pra acelerar, a gente gosta.