Tamanho do texto

Conheça a história do mítico clã que transformou o Canadá na casa da categoria na América do Norte

Montreal é a capital da Fórmula 1 na América do Norte. Desde 1978 – quando recebeu a categoria pela primeira vez – o local chegou a ter a companhia das americanas Nova York, Phoenix e Indianápolis. Mas nenhuma abraçou a F1 com tanta paixão como fez a cidade canadense – que recebe no próximo domingo (12) a sétima etapa deste ano da F1 . Muito do combustível que faz com que a chama continue acesa no país vem do sucesso da família Villeneuve.

Siga o iG Automobilismo no Twitter

Gilles, que hoje dá nome ao circuito local , estreou na Fórmula 1 em julho de 1977, no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, com 27 anos de idade (número que passou a usar no carro e virou uma de suas grandes marcas). Seu carisma fez com que rapidamente caísse nas graças do público.

Mas sua primeira vitória na categoria não aconteceu tão logo. Foi apenas na última corrida da temporada seguinte que Gilles subiu ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez. E não havia melhor lugar para isso acontecer. Foi na estreia do circuito em Montreal, então chamado de Île Notre-Dame . Nascia ali uma história de amor do povo local com o piloto e a categoria.

Gilles ainda venceria mais cinco corridas de um total de 67 que disputou em sua carreira (veja quadro). Sua melhor temporada foi a de 1979, na Ferrari, quando terminou com o vice-campeonato. Mas o canadense teve pouco tempo na Fórmula 1 para mostrar seu talento.

Durante o treino classificatório para o Grande Prêmio da Bélgica de 1982, Villeneuve morreu após grave acidente. A morte, que poderia significar também um ponto final na paixão do povo canadense pelo esporte, teve efeito contrário, e fez do piloto um ícone do país. Até hoje, fãs são vistos carregando bandeiras com o número 27, imortalizado por Gilles, durante os GPs do Canadá.

Sangue nobre

Entre 1981 e 1983, Jacques Villeneuve, irmão de Gilles, tentou, sem sucesso, repetir seu desempenho. O piloto chegou a se inscrever para três corridas de Fórmula 1 – entre elas, os GPs do Canadá de 1981 e 1983 – mas não conseguiu se classificar para nenhuma. O sucesso da família seria garantido apenas na próxima geração.

Batizado com o mesmo nome do tio, Jacques Villeneuve, filho de Gilles, estreou na Fórmula 1 em 1996, com a Williams. Chegou credenciado pelo título da Fórmula Indy no ano anterior. E, logo em sua temporada de novato, mostrou a que veio.

Jacques Villeneuve, já aposentado da F1, em 2010
Getty Images
Jacques Villeneuve, já aposentado da F1, em 2010
Em sua primeira corrida, garantiu a segunda colocação no Grande Prêmio da Austrália. No GP da Europa, quarta etapa da temporada, Jacques venceu sua primeira prova na categoria. No Grande Prêmio do Canadá, correndo “em casa”, Villeneuve chegou em segundo, conquistando de vez o público local, que voltava a ter um grande ídolo. O vice-campeonato naquela temporada foi um aquecimento para o que ainda estava por vir.

Em 1997, sete vitórias fizeram Jacques, ainda correndo pela Williams, conseguir o feito que faltou na carreira de seu pai – ser campeão do mundo, o único título de um canadense na Fórmula 1. Depois daquela temporada, o piloto deixou a equipe britânica e não voltou a conseguir bons resultados. Retirou-se da F1 no fim de 2006.

Meio século de história

O Canadá entrou definitivamente para o mapa da Fórmula 1 em 1977 com Gilles Villeneuve. Porém, bem antes dele, competidores do país já aceleravam na categoria.

No dia 8 de outubro de 1961, Peter Ryan completava o Grande Prêmio dos Estados Unidos na nona colocação, no que foi a primeira participação de um canadense em um evento oficial da Fórmula 1. Além do piloto e do trio da família Villeneuve, mais pilotos canadenses participaram de provas da categoria.

Al Paese, Allen Berg, Bill Brack, Eppie Wietzes, Ernie de Vos, George Eaton, John Cannon, John Cordts e Peter Broeker já disputaram GPs de Fórmula 1 em sua carreira. Assim como Ryan, todos foram coadjuvantes: jamais conseguiram uma pole position, uma vitória ou um pódio.

O GP do Canadá de 2011 verá a estreia daquele que pode ser o próximo canadense da categoria. Robert Wickens, destaque da Fórmula Renault 3.5 Wolrd Series, foi contratado para ser reserva da Virgin e fará sua estreia na função neste domingo (12).

Pai x filho

Gilles Villeneuve Jaques Villeneuve
Títulos 0 1
Corridas 67 164
Poles 2 13
Vitórias 6 11
Pódios 13 23
Voltas mais rápidas 8 9