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Confira dez das principais transformações que ocorreram na categoria desde 1993, quando o piloto brasileiro esteve na ativa

Em 2012, o anúncio feito pela Hispania de que a última vaga do grid ficaria com o indiano Narain Karthikeyan confirmou o que já era esperado: Rubens Barrichello, o piloto com o maior número de GPs na história da Fórmula 1, ficaria fora de uma temporada da categoria depois de 19 anos. 

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Rubens Barrichello ficou na Fórmula 1 por 19 anos
Divulgação / Fórmula 1
Rubens Barrichello ficou na Fórmula 1 por 19 anos

A estreia de Rubens Barrichello aconteceu no dia 14 de março de 1993, no circuito de Kyalami, na África do Sul. No meio de nomes já consagrados como Alain Prost e Ayrton Senna, o garoto de 20 anos iniciava sua carreira como uma grande esperança do automobilismo brasileiro.

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De lá até a sua saída da F1, muita coisa mudou na principal categoria do mundo da velocidade. Desde o carro, até equipes e regulamento. Confira abaixo dez das grandes transformações que ocorreram durante a “era Rubinho”.

1 - Pontos e mais pontos

O sistema de pontuação mudou duas vezes desde que Rubinho estreou. A contagem que vigorava desde 1991 premiava apenas os seis primeiros do grid, e o vencedor da corrida levava 10 pontos. A partir de 2003, os oito primeiros eram contemplados com pontos. E, em 2010, a maior das mudanças: os dez primeiros pilotos passaram a pontuar, e o vencedor passou a ganhar 25 pontos.

2 - Sistema de classificação

Os treinos classificatórios da Fórmula 1 também mudaram a cara da categoria durante a “Era Rubinho”. Antes de 2002, os carros corriam por uma hora no sábado, todos juntos na pista, com limites de volta. A partir daquele ano, a FIA impôs que cada piloto corresse uma volta cronometrada isoladamente. Algumas mudanças foram feitas até 2006, quando foi estabelecido o padrão que premia os vencedores em etapas. O Q1, Q2 e Q3 eliminam os piores de cada etapa, até sobrarem 10 na última sessão, na qual os competidores têm dez minutos para brigar pela pole.

3 - Algumas equipes acabaram, outras surgiram

Os últimos anos foram marcados também por grandes mudanças nas escuderias que compõem o grid. Das treze equipes que estiveram no grid de 1993, apenas cinco ainda estão na Fórmula 1: Williams, McLaren, Ferrari, Sauber e Lotus, embora este nome tenha voltado com donos diferentes da tradicional . As outras oito já não existem mais, como a Tyrrel, a Benetton, a Minardi e a Jordan. Após o início de Rubinho, quinze novas equipes foram fundadas, dentre elas, a atual bicampeã Red Bull, a Force India e a Toro Rosso. Das que começaram depois e saíram antes de Rubens Barrichello da Fórmula 1, estão Prost GP, BAR, Jaguar, Super Aguri, além de Stewart e Brawn GP – essas duas contaram com o brasileiro entre seus pilotos.

Confira fotos da carreira de Barrichello:

4 - Inclusão dos “Tilkódromos”

Com a Fórmula 1 cada vez mais longe da Europa, novos circuitos começaram a ser construídos ao redor do mundo para abrigar a categoria, e a maioria deles foi planejada pela mesma pessoa: o arquiteto alemão Hermann Tilke. Nove dos dezenove autódromos utilizados na temporada 2011 foram planejados por ele. Quando Rubinho começou, Tilke ainda não havia desenhado nenhum autódromo para a categoria. Para dar mais segurança à F1, principalmente após a morte de Ayrton Senna, em 1994, os conceitos de Tilke são baseados em grandes áreas de escape, poucas curvas em alta velocidade e retas antecedidas por curvas fechadas.

5 - O surgimento de um supercampeão

Há dezenove temporadas, o maior campeão de todos os tempos da Fórmula 1 ainda era o argentino Juan Manuel Fangio, com cinco conquistas. Durante os anos em que Barrichello esteve na categoria, as coisas mudaram e a Fórmula 1 conheceu seu maior campeão de todos os tempos. Schumacher conquistou o título pela primeira vez em 1994, repetiu no ano seguinte, e fez o penta seguido pela Ferrari de 2000 até 2004, todas com o brasileiro sendo o seu fiel escudeiro.

6 - Fim do Jejum da Ferrari

Quando Barrichello entrou na Fórmula 1, a tradicional equipe italiana amargava um jejum de catorze anos. Desde 1979, com Jody Sheckter, a escuderia não era campeã de construtores e de pilotos. O campeonato por equipes só foi vencido novamente em 1999, e a Ferrari só foi ter um piloto campeão mundial no ano seguinte, com Michael Schumacher, companheiro de Rubinho. Aquele, aliás, foi o primeiro ano do brasileiro na equipe italiana.

7 - Pilotos - e campeões - cada vez mais jovens

Barrichello fez a ple em Interlagos, em 2003
Ferrari
Barrichello fez a ple em Interlagos, em 2003

Quando Rubens Barrichello estreou com apenas 20 anos, o mundo da Fórmula 1 era dominado por veteranos. Alain Prost, à época com 38 anos, já era tricampeão. Com o mesmo número de títulos, Ayrton Senna iniciava a temporada aos 32 anos de idade. Além deles, o vencedor do ano anterior era Nigel Mansell, já chegando na casa dos 40. Com o passar dos anos, porém, os pilotos estão cada vez mais jovens na Fórmula 1. Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, por exemplo, quebraram recordes de piloto mais jovem a levantar o título em 2005, 2008 e 2010, respectivamente. Vale lembrar que, dos 20 pódios com menor média de idade entre os três pilotos, todos aconteceram a partir de 2003.

8 - Fim do Reabastecimento

No ano seguinte em que Barrichello entrou na categoria, o reabastecimento foi liberado na Fórmula 1, e levantou grandes discussões sobre segurança nos boxes. Já em 2010, entretanto, o reabastecimento foi novamente vetado pela FIA – novamente causando polêmica. Com a mudança no ano retrasado, os pilotos tiveram de se acostumar com um tanque quase duas vezes maior do que o anterior, o que deixou o carro mais pesado, e acabou com as estratégias das equipes com relação ao momento da reposição de combustível.

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9 - Ida e volta dos pneus lisos

Dentre as grandes transformações dos pneus da categoria durante o período em que Rubinho correu na F1, vale lembrar a proibição dos slicks (lisos) em 1997, para a adoção dos modelos com ranhuras. Em 2009, entretanto, com a grande evolução aerodinâmica dos carros, os slicks voltaram à competição. No ano seguinte, a largura dos pneus foi diminuída de 270 para 245 milímetros, o que mudou o controle de aderência do carro. Em 2011, a Pirelli virou fornecedora exclusiva dos compostos da categoria e, em 2012, apresentou pneus com perfis mais “quadrados”.

10 - Mudança de Motores

Uma constante preocupação da Fórmula 1 nos últimos anos é com o motor utilizado pelos carros. Quando Rubens Barrichello alinhou pela primeira vez, os bólidos ainda possuíam os motores V10 e V12, que chegavam a mais de mil cavalos. Os V8 utilizados hoje em dia diminuíram a potência dos carros e o consumo de combustível. Em 2007, a FIA proibiu a evolução no desenvolvimento dos motores. Para 2014, porém, a Fórmula 1 já prepara os novos V6 “ecológicos”, mais duráveis do que os atuais.

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