Problemas com datas, documentação e críticas à desigualdade social deram o tom da preparação para o 1° GP indiano da história

Neste domingo (30), às 7h30 (Brasília), o mundo do automobilismo dá toda atenção para um país estreante na história da Fórmula 1. A Índia, sede da antepenúltima etapa da categoria em 2011, anima os pilotos, que não tiveram oportunidade de testar o Circuito Internacional de Buddh fora dos simuladores. Expectativas da estreia à parte, o Grande Prêmio indiano será realizado após muitas dúvidas e polêmicas durante todo o ano.

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A começar pela data do evento. Com a temporada já em andamento, os organizadores do GP da Índia vieram a público para prestar esclarecimento sobre o tempo de construção do autódromo. Pouco mais de um mês antes da data marcada, houve críticas em relação ao atraso nas arquibancadas e no pit lane do local . Além disso, foi notada muita sujeira no traçado e falta de infra-estrutura no entorno do Circuito Internacional de Buddh.

Mas os problemas relacionados à etapa debutante não ficaram no âmbito do esporte. A legislação indiana também foi um obstáculo para os membros da F1, que tiveram dificuldade na taxa de importação dos equipamentos e no visto de entrada de pilotos e dirigentes na Índia .

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Segundo as leis locais, os equipamentos que os times levam para a Índia são taxados como importação. Presidente da Associação das Equipes de Fórmula 1 (FOTA, na sigla em inglês), Martin Whitmarsh – que também é chefe da McLaren – admitiu no final de setembro que a situação o preocupava.

O Circuito Internacional de Buddh ficou pronto em cima da hora para o GP inaugural da Índia
AP
O Circuito Internacional de Buddh ficou pronto em cima da hora para o GP inaugural da Índia
Nico Rosberg teve empecilhos burocráticos e, assim como outros profissionais da F1, encontrou lentidão com o visto de viagem à Índia. Após o fim de semana do GP da Itália, foi divulgado que, além do alemão, o diretor de comunicação da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Matteo Bonciani, teve comprometida a sua entrada no país. “Se o governo demorar três semanas para resolver um pedido de visto, quase 90% das pessoas da F1, eu incluso, não comparecerá ao GP”, afirmou Bonciani na ocasião, um mês e meio antes do evento.

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Resolvido o problema do visto, veio outro: o desembarque no país asiático. A chegada à Índia foi motivo de reclamações para outros dois pilotos do grid. Heikki Kovalainen reclamou do exagero na documentação exigida pelo país. Já Timo Glock questionou o tratamento recebido das autoridades indianas. "Tenho a impressão de que os indianos realmente não querem nos ver. Espero que os fãs nos acolham melhor do que as autoridades de imigração", disse.

Para complicar a situação dos organizadores, houve críticas ao fato de se planejar um evento do porte da F1 em um país cuja pobreza atinge altos níveis . Em reflexo disso, foi anunciado na última quarta-feira (26) que a capacidade de 120 mil espectadores do Circuito de Buddh não deve ser atingida. Ainda há cerca de 40 mil ingressos a venda para o público . O mais barato custa em torno de R$88.

Índia tem história recente na Fórmula 1

Não é coincidência que a Índia enfrente dificuldade na realização de um evento de Fórmula 1 . O pouco vínculo que o país tem com a categoria mais importante do automobilismo ainda é precoce. Começou em 2005, com Narain Karthikeyan, primeiro piloto indiano da F1. Pela Jordan naquela temporada, terminou o ano em 18º, com cinco pontos. Depois disso, voltou para categorias inferiores até regressar à F1 este ano.

Nesta temporada, o indiano voltou a desagradar. Pela fraca equipe Hispania, Karthikeyan correu por oito etapas até ser substituído por Daniel Ricciardo, jovem talento da Red Bull. Contudo, em sua casa, o piloto, que revelou desconhecimento do povo de seu país pela F1 , estará no grid em substituição a Vitantonio Liuzzi, seu ex-parceiro.

O gostinho de correr em casa não será aproveitado pelo outro piloto anfitrião. Karun Chandhok fecha a lista dos pilotos indianos da F1. Ele fez sua estreia pela Hispania, em 2010, mas parou na 10ª etapa da temporada. Este ano, o reserva da Team Lotus correu pela escuderia malaia para substituir Jarno Trulli no GP da Alemanha – foi 20º.

Entretanto, na última semana, a esperança que Chandhok tinha de correr o primeiro GP em seu país foi frustrada. O indiano vai participar apenas do primeiro treino livre , que acontecerá nesta sexta (28), às 2h30 (de Brasília).

Se com os pilotos a Índia não se destaca, entre as escuderias o país está em ascensão. A Force India está na F1 desde 2008 e apenas em sua temporada de estreia não pontuou. Se continuar nessa evolução, a escuderia de Vijay Mallya pode despontar em poucos anos. Contando com Adrian Sutil e Paul di Resta como pilotos titulares, o time é 6º colocado no atual Mundial de Construtores , com 49 pontos.

Confira a programação completa do fim de semana da Fórmula 1 na Índia*:

Primeiro treino livre: 2h30 (sexta-feira)

Segundo treino livre: 6h30 (sexta-feira)

Terceiro treino livre: 3h30 (sábado)

Treino classificatório: 6h30 (sábado)

Corrida: 7h30 (domingo)

* Sempre pelo horário de Brasília

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