Na Fórmula 1 desde 1950, o circuito belga é recheado de grandes histórias da categoria. Relembre algumas das mais importantes

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Pela Benetton, Schumacher venceu na Bélgica em 1992, sua primeira vitória na Fórmula 1
Neste fim de semana, a Fórmula 1 chega a um de seus circuitos mais tradicionais: Spa-Francorchamps , na Bélgica. A 12ª corrida da temporada marca a volta do recesso de verão e dá início à reta final do campeonato.

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E é bom que as equipes estejam preparadas para enfrentar os desafios do circuito belga, que tem um longo traçado e curvas de alta velocidade. Sediando provas da categoria desde 1950, Spa entrou e saiu do calendário diversas vezes até a década de 1980 por conta da falta de segurança. Apesar de ter sido reformulada e sem apresentar os mesmos riscos na atualidade, a pista ainda é uma das mais emocionantes e não consegue se livrar de uma de suas características mais marcantes: a chuva.

Foi debaixo de muita chuva que Spa-Francorchamps viu o acidente mais grave da carreira do tricampeão Jackie Stewart, uma batida envolvendo 13 carros em 1998 e uma polêmica vitória de Felipe Massa em 2008, herdada após confusão de Lewis Hamilton com Kimi Raikkonen. O circuito também foi palco da estreia de Michael Schumacher na F1 , há 20 anos.

Confira a seguir esses e outros momentos marcantes da F1 em um dos circuitos preferidos por fãs e pilotos:

Tragédia em Spa

Em 1960, o fim de semana do Grande Prêmio da Bélgica, quinta etapa daquela temporada, ficou marcado como um dos mais negros da história da Fórmula 1. Os problemas começaram já nos treinos. Ainda na sexta-feira, Stirling Moss e Mike Taylor sofreram acidentes que os tiraram da prova. Moss voltou a correr três GPs depois, mas Taylor foi forçado a encerrar a carreira devido à gravidade de suas lesões.

Porém, o pior ainda estava por vir. No domingo, 19 de junho, enquanto Jack Brabham liderava a corrida sem sofrer ameaças, mais atrás tinha início uma verdadeira tragédia. Brigando pela sexta colocação, Chris Bristow perdeu o controle de seu Cooper, chocou-se contra uma barreira e foi arremessado em uma rede de arame farpado, morrendo instantaneamente. Cinco voltas depois, um acidente bizarro: Alan Stacey, que guiava uma Lotus, foi atingido no rosto por um pássaro e bateu, também sofrendo ferimentos fatais.

Corrida pela segurança

O tricampeão mundial Jackie Stewart foi mais um que sofreu com o traçado desafiador de Spa-Francorchamps. Em 1966, após vencer o primeiro GP do ano, em Mônaco, ele sofreu o acidente mais grave de sua carreira na Bélgica e deu início a uma jornada pessoal por mais segurança na F1.

Na ocasião, debaixo de muita chuva, o britânico colidiu contra um poste de telefone. Em seguida, caiu em uma vala e ficou preso em seu BRM, com o macacão encharcado de combustível, por cerca de 25 minutos. Sem equipes de resgate ou médicos no circuito, Stewart recebeu a ajuda dos pilotos Graham Hill e Bob Bondurant, que conseguiram tirá-lo dali e o levaram para uma van, onde esperou até a chegada da ambulância.

Após o ocorrido, Stewart começou uma campanha pela melhoria dos serviços de emergência nos circuitos e pela instalação de barreiras de segurança em torno das pistas. Também defendeu o uso obrigatório do cinto de segurança e a criação do capacete que protege todo o crânio do piloto, além do macacão anti-chamas.

Palco de campeões

Nem só de tragédia vive o histórico circuito. Em 1992, Spa viu um jovem e talentoso piloto alemão conquistar sua primeira vitória na Fórmula 1. Tendo largado em terceiro, Michael Schumacher superou nomes como Nigel Mansell, Ayrton Senna e Ricardo Patrese para cruzar a linha de chegada na frente e subir ao lugar mais alto do pódio – fato que se repetiria 90 vezes em sua vitoriosa carreira. Schumacher, que também fez sua estreia na categoria no circuito belga, um ano antes, venceu outras cinco vezes ali.

O fim de semana do GP da Bélgica em 1992 também ficou marcado por uma atitude de Senna. Ainda no treino, ao testemunhar uma forte batida do piloto Érik Comas, o tricampeão parou seu carro e saiu correndo no meio da pista para ajudar o francês, que estava desmaiado. A primeira preocupação do brasileiro foi desligar o motor, para evitar uma explosão ( assista ao vídeo ). Anos mais tarde, Comas declarou à imprensa que Senna salvou sua vida.

Largada pra lá de conturbada

A corrida de 1998 teve início com a pista muito molhada. Logo na primeira curva, David Coulthard, que havia largado em segundo, perdeu o controle de seu carro, rodou e provocou um acidente impressionante, que envolveu mais 12 carros. Apesar de nada mais sério ter acontecido com os pilotos, a prova foi interrompida por mais de uma hora para que conseguissem limpar o traçado. Os envolvidos puderam utilizar carros reservas para participar da relargada. Apenas Rubens Barrichello, Ricardo Rosset, Mika Salo e Olivier Panis não voltaram para a pista.

A chuva, no entanto, não deu trégua e garantiu ainda mais emoção e momentos inusitados. Ainda na segunda largada, Mika Hakkinen, líder do campeonato, rodou e teve que abandonar, deixando o caminho livre para Michael Schumacher. O alemão dominava a prova com mais de 30s para o segundo colocado, quando, na volta 24, foi ultrapassar Coulthard, retardatário naquele momento. Após receber instruções para abrir caminho, o britânico diminuiu a velocidade, mas permaneceu na linha principal, atrapalhando Schumacher, que se chocou com a McLaren e foi forçado a deixar a prova.

Furioso com o incidente, Schumacher foi para os boxes e, ao sair de sua Ferrari danificada, foi direto à garagem da McLaren tirar satisfações. O então bicampeão mundial teve que ser segurado pelos mecânicos da equipe para não partir para cima dos rivais.

Vitória cai no colo de Massa

A chuva mais uma vez foi protagonista em 2008. A largada aconteceu com pista úmida e, já na segunda volta, começou a disputa que marcaria a prova. Lewis Hamilton rodou e permitiu que Kimi Raikkonen o ultrapassasse e assumisse a ponta. Com a chuva dando uma trégua, a pista secou e Raikkonen conseguia se distanciar na frente. Porém, após a segunda rodada de pit stops, o finlandês viu Hamilton e Massa se aproximarem.

Faltando seis voltas para o final, a chuva voltou a cair, ainda fraca, e os pilotos optaram por permanecer com pneus para pista seca. Teve início então uma perseguição emocionante entre Raikkonen e Hamilton, que conseguiu se aproximar a ponto da diferença ficar só no visual. A duas voltas para o fim, a chuva se intensificou e Hamilton conseguiu ultrapassar o finlandês ao cortar uma chicane. Ele devolveu a posição na reta de largada, mas imediatamente a tomou de volta na curva à direita. Raikkonen, então, partiu desesperadamente para cima do britânico e, com uma ótima manobra, conseguiu ultrapassá-lo, mas rodou logo em seguida. A pista estava muito escorregadia e poucos metros depois o finlandês bateu no muro, finalizando sua corrida. Hamilton também derrapou, mas conseguiu manter a ponta e cruzar a linha de chegada na frente.

O piloto da McLaren chegou a subir no pódio e receber o troféu. Mais tarde, porém, foi penalizado em 25 segundos pelos comissários da FIA, que julgaram irregular a forma com que devolveu a posição para Raikkonen após cortar a chicane. Com isso, a vitória caiu no colo de Felipe Massa, seu principal adversário na corrida pelo título. O resultado da prova fez com que a distância entre os dois na tabela diminuísse para apenas dois pontos.

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