Morte de Colin Chapman completa 30 anos

Fama do revolucionário fundador da Lotus é comparável a de grandes pilotos de Fórmula 1

iG São Paulo - Maurício Targino |

“Um carro de corrida tem apenas um objetivo: vencer corridas. Se ele não cumpre com isso, não passa de um desperdício de tempo, dinheiro e trabalho". A frase presente em um manuscrito de 17 de julho de 1975 demonstra bem o pensamento de Colin Chapman, nascido em Londres em 9 de maio de 1928 e falecido há exatas três décadas.

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O engenheiro, designer e projetista fundou a equipe Lotus, que dominou a Fórmula 1 nas décadas de 1960 e 1970, vencendo sete mundiais de construtores entre 1963 e 1978. Chapman também ficou famoso por sua intensa criatividade, revolucionando a F1.

De piloto frustrado a projetista de sucesso

Chapman chegou a guiar um Fórmula 1 nos treinos para o GP da França de 1956. Mas sofreu um acidente, sequer alinhou no grid e nunca mais correu.

Concentrado em projetar e desenvolver carros, Chapman viu a Lotus estrear no GP de Mônaco de 1958, guiadas por Cliff Allison e Graham Hill. Não demoraria muito para surgir um império que dominaria a F1 nas duas décadas seguintes.

Domínio, inovações e acidentes

"Para ganhar velocidade, adicione leveza". Este princípio chapmaniano desencadeou uma revolução em 1962: o chassi monocoque, uma peça única onde o piloto se acomoda e ao redor da qual os componentes são montados.

No ano seguinte, Jim Clark deu o primeiro título à Lotus, repetindo a dose em 1965. Depois vieram Graham Hill (1968), Jochen Rindt (1970), Emerson Fittipaldi (1972) e Mario Andretti (1978). Todas as vezes em que teve o piloto campeão, a Lotus levou o troféu de construtores, que também veio em 1973.

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Chapman (à esq) ao lado de Fitipaldi


Chapman seguia inovando. Em 1968, rompeu com a tradição dos carros ingleses serem sempre verdes e adequou a cor da Lotus aos patrocinadores - primeiro o vermelho e branco e, quatro anos depois, o preto.

O design dos carros também mudou graças a Chapman. As "baratinhas" dos primeiros anos da F1 ganharam as asas traseiras e adquiriram o aspecto que, com poucas alterações, permanece até os dias atuais.

Após alguns anos de testes em túneis de vento (outra inovação do inglês), a Lotus percebeu que fechar o espaço vazio entre as laterais do carro e o chão, retendo o ar, proporcionava mais aderência e possibilitava fazer curvas em velocidade mais alta. Era o "efeito-solo”.

“Aumentar a potência deixa você mais rápido nas retas; subtrair peso deixa você mais rápido em todo lugar”, outra frase de Chapman revelava uma verdade, mas ocultava outra: seus carros eram menos seguros.

Três acidentes fatais confirmam isso: Jim Clark (1968), Jochen Rindt (1970) e Ronnie Peterson (1978). Rindt, o único campeão póstumo da categoria, já havia alertado Chapman em 1969: “Seus carros são tão rápidos que ainda seríamos competitivos com alguns quilos extras usados para deixar mais fortes as peças mais frágeis [...] Eu só consigo guiar um carro no qual tenho alguma confiança, e sinto que o ponto em que não confio mais está bem próximo”.

Escândalo Delorean, declínio e morte

Em 1978 a Lotus firmou uma parceria com o engenheiro e empresário norte-americano John DeLorean para desenvolver os chassis do carro que ficaria famoso na série De Volta Para o Futuro.

O acordo resultou um prejuízo milionário aos cofres do governo britânico, que financiou a empreitada e cedeu uma fábrica em Belfast, na Irlanda. Logo surgiu a suspeita de que houve desvio de dinheiro e Chapman e outros membros da Lotus estariam entre os beneficiados.

À época, Chapman desenvolvia sua última inovação, um carro de chassi duplo, que complementava o efeito-solo. Num dos chassis ficava o piloto e no outro, os mecanismos aerodinâmicos. A ideia foi vetada após algumas corridas e não foi levada adiante.

Sem vencer desde 1978, o prestígio da equipe declinava. Elio de Angelis quebrou o jejum no GP da Áustria de 1982, no que seria a última vitória da Lotus sob o comando de Chapman.

Em 16 de dezembro daquele ano, Chapman morreu de ataque cardíaco aos 54 anos, com a reputação manchada pelo escândalo Delorean. Mas suas idéias revolucionárias foram mais que suficientes para gravar seu nome na história.

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