Ex-piloto da categoria na década de 1970 lança seu terceiro livro e relembra em entrevista exclusiva ao iG passagens de sua carreira

Nesta quarta-feira (28), a Williams anunciou a substituição de Bruno Senna por Valtteri Bottas para a temporada 2013. Com isso, o Brasil corre o risco de ficar com apenas um piloto na Fórmula 1 na próxima temporada. E a situação nos anos seguintes pode ficar ainda pior. Essa é a opinião de Alex Dias Ribeiro. “Gostaria de ver mais investimentos aqui no Brasil, mais empresas e empresários apoiando os pilotos, como o Carlos Slim, que apoia o Sergio Pérez desde cedo. Precisamos de apoio desde o kart, na formação, senão corremos o risco de não termos mais representantes na F1 no futuro”, alerta o ex-piloto em entrevista exclusiva ao iG , citando o exemplo mexicano.

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Alex Dias Ribeiro, que acaba de lançar seu terceiro livro -  “Muito Além de Sucesso e Significado” -, entrou na F1 em 1976, disputando apenas uma prova naquele ano. Na temporada seguinte, participou de todo o campeonato pela equipe March e, depois de um ano ausente em 1978, voltou em 1979 para disputar três GPs pela Copersucar, escuderia do amigo Emerson Fittipaldi. “Conheci o Emerson andando de kart. Depois passei a ter uma relação comercial com ele. O Emerson fabricava um volante chamado Fitipaldi Fórmula 1 que nós colocávamos nos Fuscas e nos DKVs. Eu vendia os volantes em Brasília. Aí ele foi correr na Europa e eu também, dois anos depois. Depois ele me convidou pra fazer três corridas pela Copersucar”, conta.

Foi exatamente na Copersucar que Ribeiro viveu uma de suas experiências mais assustadoras dentro de um carro de F1. “Durante minha última volta, em um treino do GP do EUA, fiz uma mudança de marcha - o carro dava um tranco muito forte nas costas -, e, em uma dessas mudanças de marcha, o volante, que não estava preso direito, saiu na minha mão, a 200 km/h. Eu consegui encaixar o volante e não sofri nenhum acidente. Foi minha última história pitoresca na F1”, lembra.

Alex Dias Ribeiro pilota a March, em 1977, no GP da Alemanha
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Alex Dias Ribeiro pilota a March, em 1977, no GP da Alemanha

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Ribeiro deixou os cockpits da categoria no fim de 1979, mas voltou à F1 20 anos depois como piloto do carro médico. “Foi muito significativo ser piloto do Medical Car, porque serviu para fechar um ciclo que havia ficado aberto. Eu fui ejetado da F1 , de repente. Guiar o Medical Car serviu para dar um funeral decente para minha carreira”, afirma.

Durante os três anos em que exerceu a função, Ribeiro testemunhou inúmeros acidentes. Dentre eles, os dos brasileiros Pedro Paulo Diniz e Luciano Burti. “De todos os acidentes que assisti como piloto do Medical Car, o mais preocupante foi o do Pedro Paulo Diniz, na Alemanha, em 1999. Foi uma batida muito feia. Chegamos lá e o carro estava de cabeça para baixo. Logo depois vimos o piloto acenando. Foi um milagre”, relembra.

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“Outro acidente muito grave foi o do Luciano Burti, em um trecho de alta velocidade em Spa-Francorchamps. O carro afundou na barreira de pneus e, quando chegamos, o capacete dele estava quebrado. Os primeiros médicos não tiveram coragem de mexer até o doutor Sid Watkins cuidar dele. Eu ajudei a retirá-lo. Depois o Burti acordou, muito agitado, xingando o Irvine, que havia causado o acidente. O Watkins pediu pra eu falar em português e acalmá-lo. Deu tudo certo, mas deu também um frio na espinha,” disse Ribeiro, que considera o Dr. Sid Watkins o grande responsável pela evolução da segurança na F1.

Mesmo fora da categoria de forma direta atualmente, Ribeiro não deixa de acompanhar as corridas. O ex-piloto esteve presente em I nterlagos no último domingo (25) para acompanhar a prova decisiva da temporada e elogiou o tricampeão Sebastian Vettel. “Ele mereceu o título, guiou muito bem. É um dos melhores do grid, apesar de ter o trabalho facilitado pelo equipamento que tem nas mãos. Mas, se fosse só o equipamento, o Mark Webber também seria campeão”.

Apesar dos elogios ao alemão, Ribeiro disse que sua torcida era para Fernando Alonso. “Alonso é mais completo. Com um carro que não é o melhor da categoria ele lutou até o fim, contra muitas adversidades. Eu preferia o Alonso como campeão. Mas os dois já estão entre os maiores da história da categoria”.

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