Robert Sattler, da Force India, e Ricardo Penteado, da Lotus, ressaltam a importância do salto na carreira ao sair do Brasil e ir para a Europa em busca do sonho profissional

Trabalhar na Fórmula 1, percorrer vários países por ano e trabalhar com o que mais gosta. Essa é parte da vida de Robert Sattler e Ricardo Penteado, engenheiros brasileiros que trabalham na Force India e na Lotus. Mas para quem pensa que só de glamour e facilidades é a vida na maior categoria do automobilismo, os dois negam e dão dicas importantes em entrevista ao iG.

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Sattler está na Force India desde o início da equipe, em 2008. Foi engenheiro de desempenho de Adrian Sutil em todas as corridas até a temporada passada, e neste ano começou a trabalhar com o alemão Nico Hulkenberg. Nascido no Rio de Janeiro, estudou engenharia mecânica na Universidade Federal Fluminense com o sonho de trabalhar no automobilismo. “Não cheguei a estudar nada específico, mas já na faculdade estagiei em uma equipe de Fórmula 3 Sul-americana. Depois, já passei para a Stock Car como engenheiro de corrida”, comentou.

Sattler diz que o crescimento da Stock Car pode fazer com que um engenheiro viva disso no Brasil, mas reconhece que ir para a Europa pode ser a melhor decisão. “Chegou uma hora que já não dava mais, precisava fazer minha carreira crescer. Mandei currículo para vários lugares, muitas vezes não fui respondido, mas consegui uma entrevista e comprei passagem na hora. Como viram que eu largaria tudo mesmo, consegui outras entrevistas na Europa, até ser chamado para a Jordan, que acabou sendo comprada, mudou de nome e depois passou para Force India".

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Perguntado sobre as diferenças de salários no Brasil e na Europa, Sattler diz que a evolução aconteceu naturalmente desde que saiu daqui. “Eu nunca pensei muito no dinheiro. Na Stock, quando eu estava, o salário era praticamente mínimo. O que eu ganhava dava pra pagar a gasolina para ir à faculdade”, brincou o engenheiro.

Robert Sattler é engenheiro da Force India
Bruno Gecys / iG São Paulo
Robert Sattler é engenheiro da Force India

Quando o assunto é o glamour e as facilidades que receber um salário de F1 e viver na Europa podem trazer, Sattler pondera as diferenças. “É relativo. O custo de vida lá na Inglaterra também é muito alto. Por isso, o salário tem que ser maior, pois é tudo muito caro. Não posso querer voltar para o Brasil e tentar ganhar a mesma coisa que ganho na F1 na Stock, porque o custo de vida lá é bem maior”, explicou.

Esta também é a opinião de Ricardo Penteado, engenheiro chefe dos motores Renault da Lotus. “Os salários são bons, mas às vezes não chegam a ser muito diferentes do que na fábrica (da Renault). Às vezes ganhamos prêmios extras, por desempenho. Mas não é só glamour como todo mundo vê de fora. É bem puxado, mas ótimo para quem gosta”.

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Para o engenheiro da Lotus, que mora na França, o mais importante para quem quer seguir carreira na F1 é uma boa preparação e coragem. “Estudei na Federal de Santa Catarina, e a Renault estava se instalando em Curitiba, pegando engenheiros da região. Perguntei sobre estágio na França, e eles se interessaram porque precisavam de alguém que falasse francês e português, e eu me preparei para isso. Fiz a entrevista, me mostrei disposto e fui”, concluiu o engenheiro.

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