Tricampeonato de Nelson Piquet completa 25 anos

Brasileiro superou grave acidente e preferência da Williams por Nigel Mansell para ser campeão mundial de Fórmula 1 em 1987

iG São Paulo - Maurício Targino | - Atualizada às

A temporada de 1987 da Fórmula 1 foi histórica para o Brasil. Naquele ano, Nelson Piquet se tornou o primeiro piloto do país a conquistar um tricampeonato na categoria. E a façanha veio de forma atípica: no treino classificatório para o Grande Prêmio do Japão, realizado no dia 30 de outubro. Isso mesmo, o título foi confirmado após Nigel Mansell, seu grande rival no campeonato, bater durante o treino em Suzuka e anunciar que não participaria da prova.

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A acirrada disputa do brasileiro com o “Leão” teve acidentes, intrigas e muita rivalidade. Sem um campeão desde Keke Rosberg em 1982, a Williams não mediu esforços para ver um de seus pilotos campeão de 1987. Nem que precisasse beneficiar um em detrimento do outro.

A dupla foi formada no ano anterior, com a contratação de Piquet por Frank Williams. Antes de a temporada começar, o chefe sofreu um grave acidente que o deixou fora de atividade e tetraplégico. Patrick Head assumiu a equipe e logo demonstrou clara simpatia por Mansell, inglês e que chegara ao time em 1985.

Na abertura da temporada, no Brasil, Piquet ficou em segundo lugar, sua colocação predileta em 1987: foram sete até final do ano. Mansell, mesmo largando na pole, ficou em sexto. Prost, que tinha levado a taça no ano anterior, venceu.

Grave Acidente

Nos treinos para o GP de San Marino, segunda prova da temporada, um dos pneus do Williams FW 11B pilotado por Piquet estourou e o piloto perdeu o controle do carro na curva Tamburello. O choque a 280 km/h só não foi fatal graças a uma manobra que fez o bólido bater de lado no muro. O piloto brasileiro sofreu contusões no joelho direito, tórax, ombros e traumatismo craniano.

Além de não disputar a prova em Ímola, Piquet sofreu significativa perda de senso de profundidade e aproximação, essenciais para guiar competitivamente.

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Equilíbrio no Campeonato

As sete primeiras corridas registraram três vitórias de Mansell (San Marino, França e Inglaterra), duas de Prost (Brasil e Bélgica) e duas de Ayrton Senna (Mônaco e EUA), que mantinha a liderança provisória naquele momento. Piquet, mesmo sem ter vencido, dividia a segunda colocação com o colega de equipe, um ponto abaixo de Senna.

No GP da Alemanha, oitavo do ano, começava a se evidenciar a estratégia de Piquet: correr para si e não para a equipe. Enquanto Mansell voava na pista em busca da pole, Piquet se preocupava com os ajustes no carro. Como resultado, o inglês largou na frente, fez a melhor volta, mas quem venceu em Hockenheim foi Piquet, que na metade da temporada assumiu a liderança do mundial de pilotos.

Reprodução
Carro número 6 de Nelson Piquet ao lado do bólido de Mansell, seu companheiro de Williams e grande rival em 1987

Guerra Psicológica

Dentro da estratégia de Piquet, havia a engenhosa artimanha de ajustar errada e propositalmente seu carro, acertando-o instantes antes da corrida, para que os mecânicos não copiassem os ajustes para o carro de Mansell. Somado a isso, muita malandragem para irritar o inglês.

Em entrevista a revista Racing em 2001, Piquet definiu Mansell como “o melhor cara que já existiu para a gente desestabilizar. Crianção, reclamão, choramingão e com um conhecimento técnico curtinho”. Isso ficaria ainda mais evidente quando a Williams introduziu a suspensão ativa nos seus carros.

O brasileiro deliciou-se com a inovação enquanto Mansell demonstrava pouco interesse. Na verdade, o inglês não conseguia se adaptar à novidade, que logo seria eliminada após o GP da Itália, vencido por Piquet com 49 segundos de vantagem sobre o companheiro de equipe, que chegou em terceiro.

Sempre no Pódio

Piquet venceu apenas três corridas em 1987, todas elas entre a oitava (Alemanha) e a 11ª (Itália) etapa, abrindo 20 pontos de vantagem para Mansell, 14 para Senna e 32 para Prost, em uma época que a vitória valia nove pontos e somente os seis primeiros pontuavam.

Dali em diante, Piquet foi administrando a vantagem, conseguindo dois pódios (3º em Portugal e 2º no México), intercalado por um quarto lugar na Espanha. A penúltima prova, no Japão, seria a última chance de Mansell brigar pelo título.

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Treino do Título

A corrida em Suzuka prometia muita emoção com a disputa entre os pilotos da Williams. No entanto, Mansell bateu no treino classificatório e ficou de fora da corrida. Há quem especule que o inglês teria condições de correr, mas preferiu sair como vítima. Verdade ou não, a desestabilização psicológica deu resultado. Como tinha 12 pontos de vantagem para Mansell, segundo colocado, o título estava garantido.

Já campeão, a preocupação de Piquet em Suzuka era apenas completar a prova e saudar a Honda, fabricante dos motores da equipe. A cinco voltas do final, no entanto, o brasileiro saiu da prova. Ironicamente, por problemas no motor. Gerhard Berger, que largou na pole, deu a primeira vitória à Ferrari desde o GP da Alemanha de 1985.

O primeiro brasileiro tricampeão de F1 se despediria da Williams no GP seguinte, o da Austrália, novamente abandonando. De 16 provas, completou 12 e conquistou 11 pódios. Um verdadeiro "cala-boca" no companheiro Mansell, que venceu o dobro de provas em 1987, mas só seria campeão cinco anos depois, com Piquet já fora da F1.

Getty Images
Williams de Piquet de 1987, ano do tricampeonato

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