Denny Hulme foi campeão pela Brabham, superando inclusive o seu chefe

Aos seis anos de idade, Denny Hulme já guiava sozinho o caminhão de seu pai na Nova Zelândia. Um pouco mais velho, começou a pilotar carros de corrida com os pés descalços para “sentir melhor os pedais”, segundo ele mesmo. Já calçado, foi à Europa trabalhar como mecânico da equipe de Jack Brabham. Em 1965, com 29 anos, estreou na Fórmula 1 e, dois anos depois, se tornou o único neozelandês campeão mundial da categoria. Título que completa 45 anos nesta segunda-feira (22).

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Avesso às badalações típicas do mundo da F1, Hulme fez sua estreia no GP de Mônaco. Na segunda corrida em que participou, na França, chegou em quarto, marcando seus primeiros pontos. The Bear (O Urso), apelido que ganhou pelo temperamento rude, mostrava que os boxes eram pequenos demais para o seu talento.

No ano seguinte, foi o fiel escudeiro do tricampeonato de seu chefe Jack Brabham. Hulme ficou em quarto no campeonato, ainda à espera de sua primeira vitória na categoria.

Calando os críticos

Discreto e reservado, Hulme sempre foi um tormento para os jornalistas, que por duas vezes concederam-lhe Lemon Prize – dado aos pilotos mais mal-humorados do grid. Explosivo quando provocado, ele dava a resposta nas pistas. Em Mônaco, onde estreara dois anos antes, venceu pela primeira vez na F1, em 1967.

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Embora não tão brilhante como seu ídolo Stirling Moss ou como seus concorrentes ao título daquele ano (Jim Clark, Graham Hill e Jack Brabham), Hulme fazia do conhecimento de sua máquina uma arma poderosa. Mesmo vencendo apenas mais uma corrida em 1967 (GP da Alemanha), sua temporada foi bastante equilibrada: marcou pontos em nove das onze provas, ficando no pódio em oito delas.

Na último GP do ano, no México, Hulme precisava apenas de um quarto lugar. Ficou em terceiro e, na premiação, foi convidado pelo vencedor da prova, Jim Clark, para dividir com ele o topo do pódio. Sem jeito, Hulme atendeu ao convite, sob o olhar pouco amistoso do segundo colocado, justamente o chefe, Jack Brabham. 

Denny Hulme guiando sua Brabham em sua primeira vitória na Fórmula 1, em Mônaco
Getty Images
Denny Hulme guiando sua Brabham em sua primeira vitória na Fórmula 1, em Mônaco


Vida após o título

Sem clima na Brabham, Hulme foi para a equipe do conterrâneo Bruce McLaren em 1968. Chegou às duas últimas corridas com chances de repetir o título, mas teve de abandonar ambas, terminando em terceiro na classificação geral.

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A morte de McLaren em 1970 o atingiu profundamente. Quatro anos depois, Hulme deixou a Fórmula 1. A paixão pelo automobilismo, no entanto, o acompanhou até o fim da vida.

Em quatro de outubro de 1992, Hulme participava da Balthurst 1000, prova de carros de turismo que ele considerava a sua favorita. Subitamente seu carro parou na pista australiana, intrigando os fiscais. Ele havia sofrido um ataque cardíaco fulminante, 18 dias antes do aniversário de 25 anos do seu título na F1.

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