Ao iG, dirigente da CBM afirmou que o público presente também correu risco em Orizânia. Morte foi causada por hemorragia cerebral

No último domingo (18), o piloto brasileiro Swian Zanoni, uma das promessas do Brasil no Motocross, morreu após acidente em prova realizada na cidade de Orizânia (MG). A equipe do Instituto Médico Legal de Muriaé, para onde o corpo do piloto foi levado, afirmou ao iG nesta terça-feira (20) que sua morte aconteceu por conta de uma hemorragia cerebral causada pela batida do piloto em uma árvore após sua queda. 

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Também em contato com a reportagem, Roberto Boettcher, vice-presidente da Confederação Brasileira de Motociclismo, afirmou que a prova não respeitava os padrões técnicos impostos pela entidade.

Boettcher disse que a prova era pirata , conforme antecipado nesta segunda-feira (19) pelo iG . O dirigente não quis entrar em detalhes sobre o evento, já que um laudo técnico ainda deve ser feito e encaminhado para a Federação Mineira de Motociclismo. Porém, confirmou que a distância do público em relação à pista desrespeitava o padrão da Confederação.

“A distância (da arquibancada) mínima depende. Mas, no mínimo, tem de ser de 10 a 15 metros. Isso independentemente dos pontos. E no mínimo a um metro e meio, dois metros de altura”, afirmou Boettcher, dizendo que o público estava correndo o mesmo risco de Zanoni por conta da proximidade em relação à pista.

“Não é para o público ficar ali. O público tem de ficar a no mínimo dez metros. Além disso, tem que ter a cerca de proteção”, completou.

O dirigente disse também que os bumps, marcações usadas para o piloto saber onde fica a pista, eram feitos de material irregular na prova que Zanoni participou. De acordo com Boettcher, a demarcação tem de ser feita de plástico, com estacas sempre viradas para fora, exatamente para que os pilotos não corram risco de se machucar em acidentes.

Swian Zanoni era uma das promessas do motociclismo brasileiro
Divulgação
Swian Zanoni era uma das promessas do motociclismo brasileiro

Zanoni não morreu na hora do acidente

À reportagem do iG , Evanildo Ribeiro de Carvalho, auxiliar do médico legista responsável pelo caso do piloto, confirmou que Zanoni não morreu no momento em que sofreu o acidente. Porém, os médicos do hospital de Divino (MG), para onde o motociclista foi encaminhado, nada puderam fazer, já que ele chegou morto ao local.

Ribeiro de Carvalho afirmou que a morte de Zanoni foi causada por uma hemorragia cerebral, consequência da fratura que o piloto sofreu no crânio. O auxiliar afirmou ainda que o motociclista não quebrou mais nenhum outro osso do corpo no acidente.

Talentoso, Zanoni representava o Brasil no Mundial

Zanoni era considerado uma das grandes promessas do Motocross brasileiro. A comunidade do motociclismo nacional considerava o piloto como um jovem com muito potencial para brilhar nos próximos anos. Nascido em 18 de abril de 1988, o mineiro entrou para o mundo da velocidade aos oito anos de idade.

Para ficar próximo às competições do Mundial, Swian havia se mudado para a Itália. Em 2011, como estreante, ele era o único representante do Brasil no Mundial da categoria. Chegou a disputar 10 provas do campeonato pela equipe italiana Martin Racing Honda, mas, na etapa da Letônia, sofreu uma fratura do antebraço e estava em período de recuperação.

Apesar da pouca idade, o brasileiro já colecionava conquistas significativas. Em 2010, foi condecorado com o prêmio Moto de Ouro de melhor piloto de MX. Além disso, foi 20 vezes campeão carioca de motocross e supercross, 3º lugar no Supercross Dortmund-Alemanha, em 2008, vice-campeão latino-americano de Supercross na Costa Rica também em 2008, e conquistou competições brasileiras, dentre elas o Arenacross 2010, na categoria Pró, a Superliga Brasil de Motocross 2010, categoria MX2 e Copa Brigadeiro de Motocross 2010 nas categorias MX2 e MX1.

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