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Campeão da F3 inglesa, Nasr planeja estar na F1 em até três anos

Em entrevista exclusiva ao iG, brasileiro de 19 anos revela que tem propostas da GP2 e da World Series para 2012

Lucas Pastore, iG São Paulo |

Ter sucesso na Fórmula 3 inglesa é um bom começo para um piloto que queira ser vencedor na Fórmula 1. Foram campeões nas pistas do Reino Unido nomes como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, que mais tarde repetiram o feito na principal categoria de monopostos do automobilismo mundial. Seguindo a trilha dos três está Felipe Nasr.

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Após ser campeão da Fórmula 3 no início de setembro, o brasileiro de 19 anos, que corre na Europa desde 2009, já começa a sonhar com voos mais altos. Nasr já está em contato com equipes da World Series e da GP2 para a próxima temporada – por conta do orçamento, está propenso a aceitar propostas da primeira. Em qualquer uma dessas categorias, no entanto, a meta é a mesma: chegar à Fórmula 1 em dois ou três anos.

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Em entrevista exclusiva ao iG, Nasr falou sobre o título, sobre seus planos para o futuro e declarou que Sebastian Vettel e Fernando Alonso são os seus pilotos favoritos na F1. Também analisou os brasileiros. Elogiou Bruno Senna e afirmou que, em sua opinião, Rubens Barrichello e Felipe Massa estão perto do fim de suas trajetórias na categoria. A seguir, confira todo o bate-papo do jovem campeão com a reportagem do iG.

iG: Depois do título na F3 britânica, quais são os seus planos para o ano que vem?
Felipe Nasr:
Algumas equipes já vieram conversar, de GP2 e World Series, então diria que uma dessas duas categorias seria o caminho para o ano que vem. Mas não tem nada decidido ainda.

iG: Você tem alguma preferência?
Felipe Nasr:
Por questão de orçamento, sim. Eu prefiro a World Series por causa do preço. A World Series hoje está especulada entre 800 mil euros a 1 milhão. E a GP2 entre 2 milhões e 2 milhões e meio em uma equipe de ponta. É o dobro do valor. Mas as duas categorias são excelentes. As duas têm a necessidade do pit stop nas corridas, então já é um passo a mais na minha experiência. Elas têm também os carros acima de 500 cavalos, pneus largos, acho que são os próximos passos depois da Fórmula 3 para aumentar essa noção de um carro para chegar mais perto de um Fórmula 1. Então acho que essas duas categorias vão influenciar nisso aí. A World Series vai contar com um dispositivo de asa móvel, sem contar que vai ter uma etapa no Brasil, e também sempre tem uma etapa em Mônaco. Aprender Mônaco em uma categoria como a World Series já é excelente, porque Mônaco é uma pista em que você nunca pode treinar. Só mesmo em categorias assim que você consegue aprender. Então, quanto antes, melhor.

iG: Hoje você teria esse orçamento para entrar na World Series?
Felipe Nasr:
Teria por parte do meu empresário. Mas, mesmo assim, mesmo ele tendo o orçamento, não fico satisfeito em saber que não tem nenhuma empresa brasileira por trás disso, para confiar em um talento. Espero que daqui pra frente apareça alguém para a gente ver uma parceria, quem sabe até chegar na Fórmula 1.

iG: Já tem planejado o ano em que pretende chegar na Fórmula 1?
Felipe Nasr:
Acho que em dois ou três anos é uma boa referência, mas tudo depende de quão bem preparado vou estar. A Fórmula 1 tem treinos banidos durante a temporada, então não tem equipe de treinos na categoria. Antes, você tinha uma equipe só de testes, hoje você não tem mais isso. Você precisa de quilometragem. Qualquer piloto que queira começar precisa treinar no carro, ou então não tem como ir. Para chegar lá e não fazer nada, é melhor nem entrar. Vai depender das oportunidades que eu tiver daqui pra frente. Quanto antes eu conseguir sentar em um carro e ganhar experiência, daí a gente vai poder ver o quanto eu vou estar preparado para fazer essa transição.

Divulgação
Felipe Nasr após a prova que lhe valeu o título da Fórmula 3 inglesa

iG: Você se sente preparado para lidar com a pressão da comparação com grandes campeões brasileiros que venceram na F3 inglesa e foram para a F1?
Felipe Nasr:
Sim. Por mim, não tem problema nenhum. Eu entrando na hora certa, bem preparado, com as pessoas certas, acho que não teria nenhum constrangimento, essa pressão não iria atrapalhar em nada.

iG: Como você vê o atual momento brasileiro na Fórmula 1? Acha que Felipe Massa, Bruno Senna e Rubens Barrichello são bons representantes da tradição do país?
Felipe Nasr:
São bons, mas, tirando o Bruno, os outros dois já estão há muito tempo na Fórmula 1. Então, cada um tem sua fase, seu momento. É difícil avaliar, é claro que a gente tem uma expectativa grande de que eles estivessem fazendo um trabalho melhor, mas é Fórmula 1. Se as equipes não estão satisfeitas, ou não estão recebendo os resultados que esperavam, elas têm a decisão delas, então não sei o quanto mais eles vão ficar na Fórmula 1, o Massa e o Rubinho. Mas eu acho que o Bruno tem feito um bom trabalho, acho que ele tem progredido e tomara que continue assim.

iG: Dos pilotos do grid, qual é o seu favorito?
Felipe Nasr:
O Vettel e o Alonso são os que eu acho os melhores ali.

iG: Tem algum que você considera que tenha um estilo parecido com o seu?
Felipe Nasr:
Difícil falar isso. Seria um pouco de cada, não dá para realmente falar um específico. Acho que o Alonso tem uma característica única: a qualquer momento que ele estiver no carro, você dificilmente vê ele cometer um erro, ou estragar a corrida dele por algum acidente. Então o cara está sempre bem atento para não sofrer acidentes, não cometer erros. Sem dúvidas essa é uma das características que eu tenho também. Não estou me comparando ao Alonso, mas estou dando um exemplo, de evitar esses acidentes, que é essencial para qualquer piloto.

iG: Como você definiria seu estilo nas pistas?
Felipe Nasr:
Acho que sou agressivo quando tenho que ser. Na hora que vejo a chance de brigar por um primeiro lugar, se eu tiver que ganhar a corrida, eu tento, mas, na hora que tem que chegar em terceiro ou quarto, realmente não dá para exagerar. Então acho que tenho dois estilos, um agressivo e um mais preservado na hora que precisa ser. Mas toda vez que tenho oportunidade, consigo agarrar bem. O importante é ser consistente também, mesmo que não dê para ganhar a corrida, é terminar, marcar pontos, trazer esses pontos pra casa, porque no final o que fez a diferença nesse campeonato aqui foi a consistência. Claro que eu ganhei mais corridas do que os outros, mas a consistência falou bem mais alto do que a de todo mundo.

iG: Mudou muita coisa em sua vida após o título?
Felipe Nasr:
Não, aqui na Inglaterra está tudo normal. Mesmo ambiente de sempre, mesma rotina, estou tranquilo.

iG: Como é ver um título brasileiro em uma categoria de base ganhar tanta repercussão?
Felipe Nasr:
É muito legal, bem legal mesmo. Fiquei feliz pra caramba, senti uma atenção muito grande, de várias pessoas. Foi um momento único, muito especial.

iG: Quando chegou na Fórmula 3, já pensava em ser campeão da categoria?
Felipe Nasr:
No ano passado fiz minha primeira temporada. Estava em uma equipe pequena, nada comparável com a Carlin, então faltou um pouco de equipamento no ano passado. Mesmo assim eu fiz uma temporada boa, considerando a equipe. Terminei em 5º. Neste ano, sabia que, se tivesse um equipamento bom, teria grandes chances de brigar pelo título. E foi o que aconteceu. Tinha uma equipe muito profissional, que é a Carlin, então formou todo o pacote. Acho que uma equipe precisa de um piloto bom, de pessoas boas ao redor, profissionais, e eu acho que foi isso que aconteceu. Todo esse pacote deu certo e deu para mostrar os resultados que eu estava esperando.

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Felipe Nasr após a prova que lhe valeu o título da Fórmula 3 inglesa

 

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