Criado em ambiente propício, garoto corre desde os cinco anos e traça com clareza seu futuro no automobilismo

Sobrenome de campeão ele já tem. Agora está em evidência também pelos ótimos resultados. Pietro Fittipaldi, com apenas 15 anos, é o primeiro brasileiro da história da Nascar a ganhar uma prova . E não foi apenas uma vitória, foram três – consecutivas – o que lhe garantiu a liderança momentânea da temporada em sua categoria, a Late Model.

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Pietro Fittipaldi (foto) é líder de sua categoria na Nascar
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Pietro Fittipaldi (foto) é líder de sua categoria na Nascar


O feito já seria grandioso por si só, mas ganha ainda mais importância levando-se em consideração que Pietro é um dos mais jovens de sua categoria, que conta com competidores com mais de 40 anos.

Os primeiros passos do neto no automobilismo deixam Emerson Fittipaldi, bicampeão mundial de Fórmula 1 , campeão da Indy e das 500 milhas de Indianápolis , orgulhoso e até nostálgico com o seu início de carreira. “A primeira vez que corri foi de moto com 14 anos e a potência era de oito cavalos e 50 cilindradas. Pietro estreou na atual categoria com os mesmos 14 anos, mas ele corre com 500 cavalos”, compara, em entrevista ao iG . “Eu demorava tanto para dar uma volta que (o tempo) não era marcado por cronômetro, era um relógio de alarme, tipo cebolão, fazia a volta em uns 12 minutos”, brinca Fittipaldi.

Outra semelhança entre avô e neto é a evidente paixão por velocidade. Emerson decidiu entrar para o mundo do automobilismo quando seu pai, jornalista, o levou para uma corrida. “Com cinco anos de idade fui com ele a uma pista e, quando vi um carro passar, disse: ‘é isso que quero fazer’”.

Para Pietro, o caminho dificilmente seria outro. Nascido em Miami, o jovem é filho de Juliana Fittipaldi. Como se não bastasse a influência do avô materno, a tia, Tatiana Fittipaldi, é casada com Massimiliano Papis, ou Mad Max, que já correu em várias categorias da Nascar e na F1.

Esse ambiente favorável ajudou Pietro, também aos cinco anos, a decidir que sua vida seria acelerar fundo. Foi com essa idade que o garoto ganhou seu primeiro kart. “Desde então, comecei a treinar duas vezes por semana e, de oito para nove anos, comecei a competir frequentemente. Até que, com 14, entrei para esse campeonato que estou liderando”, afirma o garoto ao iG , com propriedade no português. Sim, porque além de ter fluência em inglês e espanhol, aprendidos em Miami, o jovem também fala português perfeitamente, graças à influência dos pais. Sem falar no chinês, que Pietro arrisca em aulas no colégio.

A escola, aliás, vez ou outra acaba sendo colocada em segundo plano por conta da rotina movimentada, mas nada que atrapalhe seu ano letivo. Até porque, sem boas notas, Pietro afirma que os pais vetariam o automobilismo.

Esse é o maior temor do jovem, que sonha estar na briga por vitórias na principal categoria da Nascar em apenas cinco anos. Isso significa muita dedicação na carreira. Até por isso, mesmo ciente da importância, Pietro sabe que dificilmente terá tempo para cursar uma faculdade. Mas, se for para escolher uma profissão fora das pistas, será engenheiro, “para estar sempre em contato com carros”.

Além do entusiasmo que tem por carros, o piloto também gosta muito da adrenalina das competições. E é por isso que a categoria que consagrou seu avô, a Fórmula 1, atrai menos sua atenção do que a Nascar. “Em um GP de Fórmula 1, no máximo 3 pilotos têm chances reais de vencer. A Nascar vai até a última volta com cinco ou seis na disputa”, argumenta.

Além do automobilismo, Pietro também busca essa adrenalina em seus momentos de lazer. Na Carolina do Norte, para onde se mudou por conta dos treinos da Nascar, frequenta sempre a academia e gosta de praticar esportes ao lado de casa. Pietro aproveita também para acompanhar outras modalidades. Seu lado torcedor é dividido entre duas paixões: Miami Heat e Palmeiras . “Já fui até em jogo no Brasil”, afirma.

Apesar da pouca idade, Pietro já angaria diversos fãs. E através de sua conta no Twitter tenta manter contato com todos. Dentre os mais de mil seguidores que tem, o piloto afirma: “há muito fã brasileiro e muito americano”. Na mesma proporção de divisão dos fãs, está a de patrocinadores. Marcas estrangeiras e brasileiras acompanham sua carreira.

Carreira que está apenas no início, mas que promete muitas glórias. A primeira delas pode acontecer em breve. Com 18 pontos de vantagem para o vice-líder (sete anos mais velho) da Late Model, Pietro tem tudo para conquistar o título da categoria. Depois disso, quem sabe? De um Fittipaldi no automobilismo pode se esperar coisas boas.

Veja abaixo um vídeo de Pietro Fittipaldi correndo na Nascar:

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