Em entrevista ao iG Esporte, chefe da equipe britânica afirmou que buscou até o último instante evitar ida de brasileiro para a Williams, mas admitiu fraqueza ao lidar com situação

Há 20 anos, Ayrton Senna encerrava sua era pela McLaren. Um dia após vencer o Grande Prêmio da Austrália em 7 de novembro de 1993, no que seria também o último de seus 41 triunfos na carreira, o brasileiro se despediu da equipe para qual havia pilotado nas seis temporadas anteriores e que lhe havia dado três títulos mundiais de Fórmula 1. Mas, em entrevista ao iG Esporte , o chefe do time inglês Ron Dennis deixou claro que a história poderia ter sido diferente. Isso porque tentou convencê-lo até o último instante possível de não ir para a Williams.

Acha que, na época, a decisão de Senna em ir para a Williams foi acertada? Comente

“Penso que a corrida que marcou o fim dessa era não foi esta (Austrália), mas as duas ou três anteriores. Ele (Senna) realmente mudou sua cabeça e nas noites anterior e posterior àquela prova nós conversamos se deveríamos tentar arrancá-lo de suas obrigações contratuais e ficar na McLaren, porque o carro era particularmente bom e ele tinha readquirido uma tremenda dose de confiança na nossa capacidade em dar a ele um carro vencedor”, afirmou Dennis, por e-mail, ao iG Esporte .

“Nós conversamos sobre isso na noite anterior à prova e sua determinação em vencer estava em parte por deixar a equipe e muitas pessoas. Todos viram que havia muita emoção. E o que ocorreu foi uma aproximação muito mecânica para ver se ele havia feito a coisa certa. Ele deveria ficar ou ir?”, prosseguiu o chefe da McLaren.

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Ron Dennis admitiu fraqueza em relação a Frank Williams na hora de negociar com Ayrton Senna
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Ron Dennis admitiu fraqueza em relação a Frank Williams na hora de negociar com Ayrton Senna

Dennis admitiu que sua frieza sua pode ter sido determinante na escolha de Senna em ir para a Williams. Isso porque, em sua opinião, uma das principais características de Frank Williams, chefe da equipe rival, é justamente saber ser persuasivo.

“A única coisa que eu considero ter sido uma fraqueza nas conversas é minha dificuldade de comunicar nada mais que fatos breves por telefone. Sempre achei o telefone uma ferramenta muito sem emoção e o Frank foi extremamente persuasivo em convencer o Ayrton a ir para a Williams. Obviamente todos têm forças e fraquezas e uma de seus pontos fortes (Frank) é ser persuasivo. O apego de Ayrton pela vida era um trunfo, algo que eu nunca particularmente gostei de usar”, explicou o inglês.

Os momentos que se seguiram à vitória de Senna na Austrália foram de pura emoção. E, mesmo desejando a permanência do tricampeão mundial em Woking, Dennis disse acreditar que nada do que tentasse usar para convencer o brasileiro teria adiantado.

“Acho que nenhum de nós dois estava exatamente lúcido após aquela corrida e a situação havia caído em emoção. Mas penso que ele foi um homem honroso e que havia feito um compromisso com a Williams. E não penso que haveria na luz fria e dura do dia alguma circunstância que o faria renegar sua própria palavra, porque isso era mais importante do que qualquer coisa que ele havia assinado”, contou o dirigente da McLaren.

“Ele aceitou o contrato e não aceitava nenhum tipo de animosidade. O fato é que ele fez um trabalho excepcional nas corridas finais daquela temporada e era muito difícil se aborrecer com ele por causa disso”, encerrou Dennis.

No mesmo dia de seu triunfo em Adelaide, Senna compareceu em um show de Tina Turner. Ao saber da presença do piloto, a cantora o chamou ao palco e dedicou a ele a música “The Best”.

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