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Árbitros apostam em menos esforço físico com auxiliares extras

Campeonato Paulista terá quatro assistentes, dois atrás dos gols, e posicionamento dos árbitros em campo sofrerá alterações

Marcel Rizzo, iG São Paulo |

O Campeonato Paulista começa nesta sábado com uma inovação na arbitragem: dois auxiliares extras, que ficarão posicionados atrás dos gols, e que mudará o posicionamento do árbitro dentro de campo. A Federação Paulista de Futebol (FPF) encerrou no início desta semana simulações em jogos de categorias de base e o resultado foi positivo, segundo os principais árbitros da entidade.

“Vamos ter um esforço físico menor e não vamos mais correr em diagonal, ficaremos mais centralizados, formando um triângulo com o assistente da lateral do campo e aquele que ficará atrás do gol. Isso facilitará a interpretação de jogadas”, disse Sálvio Spínola Fagundes Filho, que até rabiscou em um papel para a reportagem do IG como será sua movimentação em campo. Os árbitros e assistentes estiveram na manhã desta sexta-feira no hospital CEMA, na zona leste de São Paulo, realizando exames oftalmológicos.

Sálvio Spínola citou um dado relacionado ao condicionamento físico para analisar que podem ocorrer menos erros de interpretação no Paulista: segundo ele, a frequência cardíaca de um juiz com dois auxiliares chegava a 180, até 190 por minuto em um pique grande de uma área a outra. Com dois assistentes extras, essa frequência caiu para 120 nos jogos testes, já que para percorrer o mesmo espaço o juiz não precisará correr tão rápido, já que está coberto por mais dois ajudantes.

“Foram feitos estudos que mostram que uma decisão com 180 ou 190 de freqüência cardíaca faz com que muitas vezes o árbitro tome a decisão errada. Muita gente reclama ‘como ele não vou esse lance’. Mas muitas vezes é difícil raciocinar após um pique tão longo e em ritmo forte”, disse Fagundes Filho, que não está escalado para a primeira rodada do Paulista.

Marcel Rizzo
Folha na qual Sálvio rabiscou como será seu posicionamento. Acima, o triângulo entre ele, auxiliar tradicional e o extra
O posicionamento dos árbitros também mudará nas cobranças de escanteio. Normalmente eles ficam do lado oposto ao do assistente tradicional, no “bico” da grande área. Agora ficarão do mesmo lado do “bandeira” e do batedor do escanteio, já que o assistente extra cuidará da região que antes tinha que ser analisada pelo juiz principal.

“Já vi alguns comentaristas falando que teremos que dar milhares de pênaltis por causa dos puxões, mas isso não vai acontecer. Os jogadores ficarão inibidos quando houver a cobrança de escanteio ou falta lateral porque terá um auxiliar atrás dele e eu agora olhando de frente”, disse Rodrigo Braghetto. Ele está escalado para o jogo de abertura, entre Linense e Santos, neste sábado (19h30), em Lins.

Zona cinzenta
A experiência de dois auxiliares extras foi aprovada pela Fifa, que quer encontrar maneiras de evitar erros como o da Copa do Mundo da África do Sul, quando nas quartas de final entre Alemanha e Inglaterra um gol inglês legítimo não foi dado porque árbitro e auxiliar não viu que chute de Lampard entrou (os alemães venceram por 4 a 1). Na Liga Europa, o segundo torneio mais importante do continente, os dois assistentes a mais ja são usados.

“A Fifa quer acabar com uma área que chama de zona cinzenta, que é aquela próximo da linha de fundo do lado contrário ao do assistente. Marcações ali sempre são complicadas. A presença de um outro assistente ali vai inibir algumas ações de atletas que muitas vezes não eram vistas”, disse Paulo César de Oliveira.

Apesar das vantagens que já notou nas simulações feitas pela FPF, Oliveira acha difícil a aprovação definitiva pela Fifa. “Federações pobres não têm dinheiro para pagar três, quatro árbitros por jogo, imagina seis. E a Fifa leva muito isso em conta, ter regras iguais no mundo todo”, disse Oliveira. Serão seis árbitros porque há o reserva, que continuará atuando também para ajudar os cinco que ficarão no campo.

Para os auxiliares tradicionais a mudança será menor. Maria Eliza Barbosa explicou que o impedimento continuará a cargo deles, que terão uma movimentação semelhante. “Muda um pouco no escanteio, já que poderemos nos concentrar em fatos fora da área e deixar a área para o assistente atrás do gol e para o árbitro”, disse a assistente que trabalha domingo em Mogi Mirim x São Paulo, 17h, no interior.
 

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